20 dezembro, 2013

Invadiram ou ocuparam?



Há muito que veículos de comunicação, com o apoio e o aval dos governos, criminalizam movimentos sociais. Este fato tornou-se mais explícito durante os protestos de junho de 2013.
Termos como “vândalo” e  “vandalismo”, foram largamente empregados como sinônimos de “ativista” e  “manifestação”. Repórteres, editores, âncoras, radialistas e outros comunicadores sentem-se no direito de dizer o que é e o que não é vandalismo, sempre em consonância com os interesses do status quo.
Outro termo bastante usado foi “invadir”, que quase sempre é empregado de forma errônea  como sinônimo de “ocupar”, propositadamente ou não. Diz-se “Os sem-terra invadiram a fazenda”, quando “a fazenda” é um latifúndio improdutivo e vazio. Um caso semelhante ocorreu dia 19/12/13, quando sindicalistas e servidores públicos municipais ocuparam o plenário da Câmara Municipal de Fortaleza. O ato aconteceu em protesto contra a votação do projeto lei que trata do reajuste salarial da categoria. Além de trazer percentual menor do que legalmente a Prefeitura poderia aplicar e do que foi reivindicado pelas entidades sindicais, o projeto foi encaminhado em regime de urgência, sem negociação na Mesa Central e sem tempo para discutir com os trabalhadores.

Logo após a ocupação,  foi suspensa a sessão da Câmara. Contraditoriamente, quem primeiro falou em “invasão” do plenário em seu perfil no Twitter, foi a vereadora Toinha Rocha (Psol)  que apoia a luta dos servidores. Questionada, admitiu a falha e desculpou-se alegando a tensão do momento.
Em seguida, os portais O Povo Online, G1 Ceará e Cnews também usaram nos títulos e nos textos das notícias sobre a ação dos servidores na Câmara Municipal, termos como “invadir”, “invadem”, “invadiram” etc.

Como assessor de imprensa de uma das entidades sindicais que esteve à frente do protesto, ponderei com editores e repórteres dos três portais sobre o que realmente ocorreu, sobre a criminalização dos movimentos sociais pela mídia e se o termo correto a usar não seria “ocupar” ao invés de “invadir”. Tod@s com @s quais falei, mostraram-se abert@s ao diálogo e dispost@s a fazer reparos nos títulos e nos textos.
A meu ver, isto mostra que:
1) Nem sempre editores e repórteres da mídia tradicional criminalizam ou deturpam ações dos movimentos sociais de forma deliberada.
2) No caso citado, os profissionais se mostraram abertos ao diálogo e tiveram uma atitude correta em fazer reparos que consideraram justos, pelo que sou grato e tenho certeza que os servidores municipais de Fortaleza também o são.
3) Este episódio tem um cunho pedagógico pois deve levar a uma reflexão na próxima situação similar - escrevo “invadir” ou “ocupar”?
4) No caso da assessoria de imprensa, fica também a lição de procurar o diálogo e insistir no que é correto. A meu ver, o assessor não é inimigo do repórter. Os dois podem trabalhar lado a lado, são funções complementares.



Importante registrar que os portais Diário Online, O Estado CE e Tribuna do Ceará trataram o caso como uma ocupação ou sem falar em invasão, o que também fez o jornalista Eliomar de Lima em seu blog, além de noticiar que o site da TV Fortaleza, emissora que transmite as sessões da Câmara Municipal, passou a mostrar uma mensagem natalina no momento da ocupação. Censura.
Por fim, no dia seguinte ao protesto, o jornal Diário do Nordeste trouxe matéria sobre a ação dos servidores e falou em invasão, posição contraditória com outros veículos do mesmo grupo.

12 dezembro, 2013

Fortaleza:Prefeitura deixa semáforos sem funcionar





Circula a informação de que a empresa NovaKoasin - terceirizada responsável pela manutenção dos semáforos de Fortaleza - suspendeu, desde as 12h de ontem (11/12/13), o serviço prestado ao órgão. O motivo seria atraso no pagamento. O trânsito de Fortaleza que já é caótico, vai piorar mais ainda.

Pelo menos em três cruzamentos da Avenida Treze de Maio, os semáforos estão inoperantes desde as 7h da manhã de hoje.  Os equipamentos localizados nas esquinas com as ruas Senador Pompeu, Marechal Deodoro e Barão do Rio Branco. Os semáforos ficam piscando a luz amarela ininterruptamente ou estão apagados.O vídeo acima foi gravado às 19h do dia 12/12/13.
Fortaleza possui aproximadamente 650 cruzamentos com semáforos. Quantos vão ficar em situação semelhante? Uma simples pane elétrica pode atrapalhar o funcionamento destes equipamentos.

Enquanto se espera a manutenção dos semáforos, são os agentes de trânsito da AMC que estão controlando o tráfego, mas se a quantidade de semáforos com problema aumentar, não vão dar conta.

É este o plano de mobilidade da Prefeitura com ações emergenciais? Como a Prefeitura deixa a cidade refém de uma única empresa? É esta a cidade que está prepara para a Copa do Mundo?

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