25 maio, 2016

Basta da política de avestruz na segurança pública

Artigo também publicado no Blog do Eliomar

Há algumas semanas falei com um amigo, que é advogado criminalista, sobre escrever um artigo tratando da onda de violência desencadeada pela ação de facções do crime organizado no Ceará. Ele foi taxativo: - Larga mão. Não mexe com isso que eles te matam.


Conversando com outro, que é educador social e mora e atua na área do grande Pirambu, ele informou: - Acabou esse negócio da molecada de uma rua ficar matando os da outra. Os caras enquadraram as gangues, recolheram as armas. Pacificaram. (sic)


Já um terceiro, que é mestrando em Ciências Sociais e atua junto a movimentos de bairros e pastorais, afirma: - O que mantém a massa carcerária tranquila dentro dos presídios não é o crack. É o WhatsApp.


Trago estes três relatos como ponto inicial de uma reflexão sobre a escalada da violência que no

último final de semana, em apenas dois dias de rebelião nos presídios cearenses, culminou com a morte de pelo menos 18 presos. Este é mais um episódio de uma longa série na qual possivelmente constam: ameaças de bombas no TJCE e na Contax, carro bomba com 10 quilos de dinamite deixado ao lado da Assembleia Legislativa, prédios de diversas delegacias de polícia e da Secretaria de Justiça metralhados, antenas de telefonia depredadas e queimadas, ônibus e carros incendiados, depredação da Câmara Municipal de Sobral, ameaças ao governador, tentativas de rebeliões anteriores em presídios e por aí vai.


A atitude do governador Camilo Santana (PT) diante das notícias iniciais sobre as ações do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) no estado, foi praticar a política da avestruz e afirmar que se tratava de “brincadeira de mau gosto” e “boatos irresponsáveis de setores da Imprensa”.


Posteriormente, uma série de matérias no jornal Diário do Nordeste demonstrou de forma clara a presença e atuação do PCC e do CV no Ceará, juntamente com organizações criminosas locais, como os Guardiões do Estado, todos implantando a chamada “pacificação”.

Enquanto meses atrás tínhamos em Fortaleza algo em torno de 20 homicídios a cada final de semana, em um verdadeiro extermínio da juventude da periferia, com a “pacificação” este número foi bastante reduzido.


Em compensação, como reconhece a própria polícia, houve aumento de outros crimes como roubos e furtos.


A rebelião dos dias 21 e 22 não tem como causa principal a greve dos agentes penitenciários, que durou um dia. Já ocorreram greves da categoria antes sem este morticínio. Tem como motivos centrais a implantação dos bloqueadores de celular nos presídios, que deve começar a vigorar no mês de junho e às péssimas condições a que são submetidos os presos.


Há anos se sabe que o sistema carcerário é uma bomba relógio. O desrespeito e os abusos contra presos e seus familiares foi o que permitiu a criação do Comando Vermelho, ainda na época da ditadura militar e posteriormente do PCC. Para se ter uma ideia do peso desta organização, o Ministério Público de São Paulo apura o pagamento de propina ao PCC pelo governo Serra, para conseguir realizar obras em 2009.


Quando tenta jogar a responsabilidade das mortes e da rebelião sobre os agentes prisionais, mais uma vez o governo do estado se esquiva do papel que lhe cabe.


Com a proximidade do prazo final para a implantação dos bloqueadores nos presídios e ainda com o rescaldo da última rebelião, existe a possibilidade concreta de mais violência. E não envolvendo somente agentes de segurança pública, criminosos em liberdade, presidiários e familiares, mas também quem mora próximo a presídios, delegacias, torres de telefonia, operadoras de telefonia, usuários do transporte urbano e etc.


Espera-se que o governador Camilo Santana não siga o péssimo exemplo de seu antecessor, Cid Gomes, que no auge da última grande crise da segurança pública no estado, durante a greve da PM em 2012, simplesmente desapareceu.


Urge resposta não só para esta situação, mas também para a chacina de Messejana, que ocorreu há mais de 6 meses e até o momento segue sem punição dos culpados e também para a situação absurda dos centros para menores infratores, onde já se constatou a prática de tortura, sendo inclusive o estado do Ceará denunciado perante organismos internacionais.


A situação é grave e não adianta tapar o sol com peneira. E nem bancar a avestruz.

19 maio, 2016

Roberto corta essa


 O Centro de Fortaleza continua em situação de abandono. Exemplo é a Praça José de Alencar, situada no coração da cidade.
Lixo, mato, buracos e pessoas fazendo necessidades fisiológicas em público, à luz do dia e ao lado de uma cabine da polícia. Abandono total.

A gestão Roberto Cláudio (PDT) segue o modus operandi das administrações anteriores: reforma ou constrói um bem público e depois deixa que se desgaste até precisar refazê-lo por completo. Não há zelo ou conservação. Ótimo para as construtoras e péssimo para a população.


Lembrando a música de Jorge Ben Jor, “Roberto corta essa”.  Fortaleza está virando um verdadeiro dragão. Nada princesinha. “você está precisando de um oculista, Roberto”?

05 maio, 2016

Associação dos Cornos do Ceará já tem 25 mil sócios



“Nesta vida você só tem duas certezas: a morte e o chifre!”
“Só tem dois tipos de cornos: o que sabe e o que nega! Agora a qualidade é infinita(sic)”
“Chifre foi feito para homem ( e mulher). Boi usa de enxerido!
“O chifre é como o consórcio...quando você menos espera é contemplado”

Texto também publicado no Blog do Eliomar

Dentro do tradicional espírito da molecagem cearense, existe em Fortaleza, com sede e CNPJ, a “Associação dos Homens Mal Amados do Estado do Ceará”, conhecida popularmente como 'Associação dos Cornos”.
A sede da entidade fica na Rua Pedro Pereira, 868, 1º andar, Centro. Fones 85 98602.3783 e 99113.7030.

Qualquer pessoa pode tornar-se sócio, bastando comparecer ao local e preencher um cadastro com nome e endereço. No ato da filiação, o novo sócio recebe uma carteirinha  - válida em todo o sistema solar. Além do espaço para nome e foto do associado(a), a carteira traz o slogan “corno também é gente”.



Engana-se quem pensa que só homens associam-se à entidade. Há várias mulheres que são sócias.
Há também sócios famosos como o cantor Falcão e o ator global Jackson Antunes, devidamente registrados com nome, endereço e telefone. No registro de Jackson, a legenda “corno galã”. A qualidade é infinita.
Conforme o presidente da Associação, Adauto Caetano, já são mais de 25 mil sócios e todos os dias ocorrem novas adesões.

Lado sério

Embora muitas pessoas não percebam, existe um lado sério na brincadeira. No Ceará, como no Brasil, há muito machismo e as chamadas infidelidades conjugais (ou a mera suspeita destas) é motivo para o assassinato e todo tipo de violência contra as mulheres.

A meu ver,  a Associação, ainda que indiretamente, ajuda no combate ao machismo e à violência contra a mulher e faz isso de uma maneira bem interessante e engraçada.

Para saber mais:
http://tribunadoceara.uol.com.br/videos/gente-na-tv/conheca-shopping-cornos/

http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/cidade/online/presidente-da-associacao-dos-cornos-do-ceara-procura-substituto-apos-15-anos-1.1104322

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