22 outubro, 2016

Guerra de facções: Família do Norte (FDN) envia “salve” a seus integrantes no Ceará

Circulam nas redes  sociais e em serviços de mensagem como WhatsApp  e Telegram, mais um texto  com um suposto “salve”,  que na linguagem das  facções criminosas  significa um informe ou orientação da direção das mesmas para todos os seus membros.
Desde o domingo, 16/10, que as duas maiores facções criminosas do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) romperam uma trégua anteriormente estabelecida. O PCC, através de sua direção, já enviou um “salve” aos criminosos do Ceará.
A Família do Norte (FDN), aliados do Comando Vermelho (CV)  também fez o mesmo. Eles iniciam a mensagem afirmando que a FDN CVRJ “sempre respeitou e sempre vai respeitar a massa carceraria e todos aqueles bandidos que correm pelo certo em geral e que lutam pela paz”. Em seguida alertam a todos os seus membros para ficarem em “alerta máximo” e prontos para se defender dentro e fora do sistema carcerário.
Dizem também que já ajudaram as outras facções e a massa carcerária no estado, inclusive com resgates de presos e ataques a delegacias para denunciar torturas sofridas no sistema carcerário. Afirmam no entanto que não estavam sendo respeitados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
No restante do texto, reafirmam denúncias de covardia e traição contra o PCC, inclusive responsabilizando esta facção pelas mortes de presidiários em boa vista, estado de Roraima. Dizem que continuam a lutar contra “o caos” do sistema carcerário  e encerram afirmando que estão “ sempre a favor do crime correto” (sic).
O “salve” é assinado pelo  “Conselho Geral Família do Norte Ceará”.
A trégua entre as facções foi rompida após 18 mortes de presidiários em Rondônia e Roraima no último domingo, 16.
Na noite de quinta-feira, 20/10, mais quatro presidiários foram assinados no Acre na disputa entre facções e, conforme o jornal El Pais, mais nove mortes aconteceram fora dos presídios.
Nesta semana já houve princípio de rebelião nos presídios cearenses e há notícias sobre a ruptura da trégua que trouxe a “pacificação” a Fortaleza.
Em alguns bairros, como na Sapiranga, um homem foi morto em um confronto atribuído às facções. Em outros bairros, como no Conjunto Palmeiras, houve foguetório para comemorar a manutenção da trégua, pela facção Guardiões do Estado (GDE).
Enquanto isso, e com todas as evidências em contrário, autoridades da área de Segurança Pública no Ceará, continuam negando a existência de um pacto pela paz entre as facções em Fortaleza e dizem que as mesmas só têm atuação dentro do sistema carcerário.

Guerra de facções: PCC envia “salve” a criminosos cearenses - https://bitautonomo.blogspot.com.br/2016/10/guerra-de-faccoes-pcc-envia-salve_21.html

 “Pacificação” imposta em Fortaleza pelo crime organizado pode estar chegando ao fim - https://bitautonomo.blogspot.com.br/2016/10/pacificacao-imposta-em-fortaleza-pelo.html 

Basta da política de avestruz na segurança pública -
http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/seguranca-publica-e-a-politica-de-avestruz/

21 outubro, 2016

Guerra de facções: PCC envia “salve” a criminosos cearenses


Circula no WhatsApp, o  texto de um suposto “salve”, que na linguagem das  facções criminosas  significa um informe ou orientação, atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
No “salve”, a Sintonia Geral do PCC, que é a cúpula do grupo, explica as razões para a ruptura da aliança com o Comando vermelho (CV), inclusive justificando a morte de dez presidiários ocorrida no domingo, 16/10, durante rebelião em presídio de Roraima.
O “salve” é dirigido aos criminosos do Ceará e em cinco pontos questiona os mesmos sobre supostos assassinatos cometidos por integrantes do Comando Vermelho contra pessoas ligadas ao PCC no estado, sendo que quatro dessas mortes ocorreram na cidade de Russas.
Além disso, questionam os criminosos sobre a perda de autonomia em “territórios e bocadas” para o CV, somente porque não têm estrutura para enfrentar esta facção.
Falam por fim da quebra de paz entre as facções no Ceará, ressaltando o assassinato de um integrante da facção Guardiões do Estado (GDE) por membros do Comando Vermelho.
Cada um dos cinco pontos termina com a pergunta “onde é que isso é tolerado pelo crime?”. No final, afirmam que o PCC não aceitará “caminhadas” que venham a fugir da “ética do crime”.
Após as 18 mortes de presidiários em Rondônia e Roraima no último domingo, ontem, 20/10,  mais três presos foram assassinatos no Acre, na disputa entre facções.
Esta semana já houve princípio de rebelião nos presídios cearenses e há notícias sobre a ruptura da trégua que trouxe a “pacificação” a Fortaleza.
Em alguns bairros, como na Sapiranga, um homem foi morto em um confronto atribuído às facções. Em outros bairros, como no Conjunto Palmeiras, houve foguetório para comemorar a manutenção da trégua, pela facção Guardiões do Estado (GDE).
Enquanto isso, e com todas as evidências em contrário, autoridades da área de Segurança Pública no Ceará, continuam negando a existência de um pacto pela paz das facções em Fortaleza e dizem que as mesmas só têm atuação dentro do sistema carcerário.

Veja também

 “Pacificação” imposta em Fortaleza pelo crime organizado pode estar chegando ao fim - https://bitautonomo.blogspot.com.br/2016/10/pacificacao-imposta-em-fortaleza-pelo.html 

Basta da política de avestruz na segurança pública -
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19 outubro, 2016

“Pacificação” imposta em Fortaleza pelo crime organizado pode estar chegando ao fim

Embora a Segurança Pública seja um dos principais temas da campanha eleitoral em Fortaleza e ambas as chapas que estão no 2º turno tenham integrantes ligados á área, um dos aspectos mais relevantes neste quesito que é a “pacificação” dos bairros e comunidades por facções do crime organizado, recebeu um solene silêncio nos programas eleitorais e discursos dos candidatos.
Desde o primeiro semestre deste ano que o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Guardiões do Estado (GDE) impuseram a “pacificação” em bairros e comunidades da periferia da capital cearense, fazendo despencar o número de homicídios e de pequenos crimes como o furto de celulares e bolsas. As facções fizeram o que o Estado não conseguiu.
Matéria do repórter Gil Alessi, publicada no jornal El País, em agosto deste ano, explica os motivos para a ação: “A ideia é reproduzir o modelo empresarial adotado pelo PCC em São Paulo, deixando antigas desavenças de lado e focando no comércio da droga e no enfrentamento à polícia. A lógica é simples: homicídios chamam a atenção das autoridades, e roubos geram mal-estar na comunidade, incentivando que os moradores delatem os traficantes que não conseguem 'manter a ordem' ".
Em sua campanha para a Prefeitura de Fortaleza, o prefeito Roberto Cláudio (PDT) afirma que a paz na periferia é fruto da iluminação pública e da urbanização de praças. A meu ver isto até ajuda, mas a causa central é outra.
O recado vem pelo muro: “Se roubar na favela, vai morre” (sic). Apesar do erro na grafia, o significado é claro e está em letras garrafais em um dos muros no bairro Parque Presidente Vargas. Quem assina é GDE 745 (referência à posição das letras no alfabeto).
No Aracapé, a aproximadamente quinhentos metros da Areninha recém inaugurada pela Prefeitura, a assinatura da mesma frase nas paredes é do Comando Vermelho (CV). Ainda no local, outra pichação diz para “acabar com os PM passa fome” (sic).
Recados semelhantes se espalham pelos bairros próximos como Conjunto Esperança, Mondubim, Parque Santa Rosa etc.
Do outro lado da cidade, no Quintino Cunha, a letra é do PCC: “Não use drogas na frente das crianças”. Da mesma forma que o GDE assina 745, o PCC também assina com 1533.
Desde o primeiro semestre deste ano, quando as facções criminosas selaram o acordo de paz em Fortaleza, que a vida segue bem mais tranquila nos bairros periféricos.
Em lugares tão distantes como o Pirambu ou o Jangurussu, os moradores podem sair com mais tranquilidade e levar seus pertences, como smartphones e bicicletas, inclusive à noite.
No Pirambu, podem até aproveitar o calçadão do Projeto Vila do Mar para passeios e lazer. Jovens se deslocam inclusive de outros lugares da cidade e curtem festas no fim de semana no calçadão, antes deserto e perigoso.
Mas como a lógica que rege os “partidos do crime” parece ser a mesma que rege os partidos tradicionais, esta “paz” está em risco. Duas rebeliões ocorridas nos presídios de Roraima e Rondônia no último domingo, 16/10, podem significar, na prática, o fim do acordo de paz entre o PCC e o CV. Em Roraima, pelo menos 10 presos integrantes do Comando Vermelho foram trucidados, alguns decapitados e queimados por integrantes do PCC que invadiram suas celas. Já na capital de Rondônia, houve oito presos mortos, também na disputa entre as duas facções. Em São Paulo, conforme fonte ligada ao Ministério Público, desde o dia 18 que o PCC faz levantamento de quantos presos ligados ao Comando Vermelho existem no estado. No Rio, local de origem do CV, presos do PCC estão pedindo transferência para outros presídios que não são controlados pelo outro grupo.
Como o Comando Vermelho e o PCC são organizações nacionais, a disputa pode se transformar em uma verdadeira guerra dentro e fora dos presídios. O que estaria por trás do rompimento entre os dois grupos seria um realinhamento nas alianças com outras facções criminosas como a Família do Norte (FDN) e mudanças no controle das rotas de tráfico de armas e de drogas.
Sejam quais forem as causas do rompimento, conforme declarou ao jornal El País o professor do departamento de Ciências Sociais da UFC e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência, Luiz Fábio Paiva, “O momento é de tensão e expectativa em termos da repercussão da quebra dessa aliança”.
Já circula na internet um vídeo que supostamente mostra integrantes do PCC jogando futebol com a cabeça de um membro do CV, após degolá-lo, em um dos presídios de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Em artigo que escrevi em maio deste ano, intitulado “Basta de política de avestruz na segurança pública”, procurei mostrar como as medidas adotadas pelo Governo do Ceará para lidar com as ações das facções e com a violência eram, no mínimo, canhestras. Desde então se algo mudou foi para pior. Basta ver o clima nas delegacias e quartéis.
É bom lembrar que no primeiro semestre deste ano, viaturas e órgãos de segurança foram metralhados, torres de telefonia e ônibus queimados, carro bomba com 10 quilos de dinamite deixado ao lado da Assembleia Legislativa do Ceará, Câmara Municipal de Sobral atacada com bombas incendiárias, rebeliões com mortes nos presídios e por aí vai.
Se o confronto explodir, não será somente a periferia a sofrer.

Álbum de fotos: https://goo.gl/photos/YFh8csuLTAZLDxRFA

Links consultados:
Basta da política de avestruz na segurança pública -
http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/seguranca-publica-e-a-politica-de-avestruz/

Acordo pela paz entre PCC e Comando Vermelho derruba homicídios em Fortaleza - http://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/19/politica/1471617200_201985.html

Rebeliões sinalizam fim de pacto entre PCC e CV e espalham tensão em presídios - http://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/17/politica/1476734977_178370.html

Guerra no crime: PCC começou hoje a rastrear os membros do CV em São Paulo - http://ponte.org/guerra-no-crime-pcc-comecou-hoje-a-rastrear-os-membros-do-cv-em-sao-paulo/

Preso foi decapitado em guerra de facções no Ceará - http://veja.abril.com.br/brasil/preso-foi-decapitado-em-guerra-de-faccoes-no-ceara/

03 outubro, 2016

Eleições 2016: quem venceu foi o protesto

Artigo também publicado no Blog do Eliomar

E essas são as questões: alguém é eleito de qualquer maneira e quase sempre você se arrepende depois de votar.

Houve sim um grande vencedor no 1º turno das eleições deste ano. Não foi nenhum candidato, partido ou coligação. Foi o protesto.

A abstenção, somada aos os votos brancos e nulos, superou o 1º colocado em nove capitais do país. Fortaleza teve o maior índice de rejeição eleitoral neste século, com um em cada quatro eleitores protestando.
Em São Paulo, João Dória (PSDB) teve 3.085.187 votos. Somando abstenções (1.940.454), nulos (788.379) e brancos (367.471) chega-se a 3.096.304.

Em Belo Horizonte temos 741.831 de abstenções, brancos e nulos contra 710.797 da soma dos dois candidatos mais votados, João Leite (PSDB) e Kalil (PHS).
No Rio de Janeiro, o protesto foi ainda mais impressionante. Somente a abstenção chegou a 1.189.187 contra 1.395.625 da soma dos dois candidatos mais votados, Crivella, do PRB e Freixo, do Psol. Brancos, nulos e abstenções perfazem 1.846.621.

Em Fortaleza, somadas as abstenções (288.362), nulos (82.342) e brancos (35.443) temos 406.147 eleitores, número superior ao obtido pelo Capitão Wagner (PR), segundo candidato mais votado, que teve 400.802 e vai para o segundo turno com o atual prefeito Roberto Cláudio (PDT).

Em todas as capitais, o número de abstenções (eleitor apto a votar e que não compareceu às urnas) é muito superior ao voto nulo e voto em branco. A abstenção é um protesto diferente do voto nulo e do branco. É uma desobediência clara de quem vai contra o sistema,  pois o voto no Brasil continua obrigatório.

Há todo um esquema de pressão para que o eleitor vote. Desde a obrigatoriedade imposta pelo Estado, passando pela Propaganda Eleitoral Gratuita (que de gratuita não tem nada e está custando R$ 576 milhões aos cofres públicos em isenção de impostos), às campanhas milionárias dos candidatos e cretinices com o voto útil. A frase postada pelo dep. Eduardo Cunha, em seu perfil no Twitter no dia da eleição, é emblemática: “Alguém será eleito de qualquer maneura (sic) faça logo sua escolha para não se arrepender depois”. E essas são as questões: alguém é eleito de qualquer maneira e quase sempre você se arrepende depois de votar.

Há uma desilusão generalizada, mas também há revolta e indignação com a política partidária e a democracia representativa. O sujeito é eleito e, durante quatro anos, quem o elegeu não tem nenhum controle sobre o que ele faz.

No Legislativo, quase sempre você vota em um candidato e elege outro. Prova disso, é que dos 513 deputados do Congresso Nacional, só 38 foram eleitos com os próprios votos.
Em Fortaleza, o 5º candidato mais votado para vereador, Aílton Lopes (Psol), não foi eleito devido ao quociente eleitoral.

Em Jati, interior do Ceará, a prefeita eleita só precisava do próprio voto pois foi candidata única. Um bode, que a oposição lançou como candidato de protesto, foi abduzido antes das eleições.
Além destas “distorções”, continuam em vigor velhas práticas de corrupção, caixa 2, violência e assassinatos, compra de votos etc.

A Lei do Ficha Limpa se mostrou um tremendo fracasso e o volume de recursos gastos nas campanhas (até agora, R$ 2,131 bilhões), mostra que o dinheiro continua entrando a rodo.
O Brasil caminha para uma situação mais radical que a descrita no romance  “Ensaio sobre a lucidez”, do escritor português José Saramago. No livro, 70% da população vota em branco, instaurando uma crise em um país fictício. Aqui, milhões estão se abstendo do processo eleitoral na marra.

Está clara a falência da democracia representativa e deste modelo político partidário. Uma parte das pessoas que participaram do protesto nas eleições o fez por desilusão, de forma espontânea. Mas outra parcela se absteve devido a atividade de grupos, pessoas e organizações que buscam uma saída para a crise fora dos marcos da política tradicional.

Um destes grupos é o Crítica Radical, que há anos atua em Fortaleza e faz campanha pelo “Não Voto”. Em um dos documentos recém divulgados, eles convocam a população a construir um movimento cujos participantes “não querem mais ser representados por representantes que na verdade querem manter a população numa servidão voluntária ao sistema, seu estado, seus partidos, seus políticos e candidatos que na crise do limite interno e externo do capitalismo administram a barbárie e a extinção do planeta”.

Isso é loucura? Me parecem mais lúcidos do que aqueles que continuam a se prostrar frente aos velhos e carcomidos espantalhos da política, já abandonados por grande parte da população.

O Crítica Radical está convidando para uma reunião no próximo sábado, 08/10, na Faculdade de Arquitetura da UFC às 9h30. Em discussão, a construção deste movimento e de uma assembleia autônoma da população de Fortaleza. Eu vou.

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