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07 agosto, 2024

Cine Molotov comemora 15 anos com exibição de documentário sobre presos políticos

 

Iniciativa independente leva cinema de forma gratuita a locais públicos


Agosto chegou e o Cine Molotov inicia as comemorações dos seus 15 anos, com a exibição do premiado documentário Escuridão na Terra da Luz, do diretor, produtor e fotógrafo Popy Ribeiro.

O documentário traz uma série de entrevistas com ex-presos políticos da ditadura militar de 1964, além de filhos de ex-presos e pesquisadores, fazendo um recorte de fatos ocorridos no Ceará.

O filme foi premiado como melhor longa-metragem na Mostra Olhar do Ceará no 32º Cine Ceará, sendo premiado também na Europa como Melhor Direção e Melhor Produção na 7ª edição do Marginal Art Festival de Madrid (Espanha), e selecionado na mostra Brasileirinho da Euroart Gallery na cidade de Leiria (Portugal).







A sessão acontecerá no 13 de agosto (terça-feira) às 18h30 na Praça Rosa Fonseca no Benfica, em mais uma parceria com o grupo Crítica Radical. Para debater com o público teremos a presença do diretor, é só chegar, se aconchegar e participar.


Essa sessão é uma iniciativa sem financiamento de editais

Você pode apoiar o cineclubismo independente, com a doação de qualquer valor pelo pix: cinemolotov@gmail.com (Banco Next - A. N. B.). Saiba mais no perfil do Instagram @cine.molotov.

Serviço:
Cine Molotov exibe Escuridão na Terra da Luz
Documentário, 90 minutos, direção de Popy Ribeiro
Dia 13 de agosto de 2024 às 18h30
Na Praça Rosa Fonseca - Rua João Gentil, 59, Benfica.
Aberto ao público.





08 novembro, 2017

Crítica Radical lança livro de Robert Kurz com debate sobre crise e emancipação

Livro aborda os textos mais importantes de Karl Marx para o século XXI editados e comentados por Robert Kurz

O grupo Crítica Radical lança na quinta-feira, 16/11, o livro Ler Marx, do filósofo e ensaísta alemão, Robert Kurz, falecido em 2012.

Militantes do Crítica Radical, com base na obra de Kurz e de outros teóricos, divergem da vertente do marxismo tradicional e defendem que o capitalismo vive uma crise diferente das anteriores, tendo o sistema atingindo seu limite e consideram que o livro aborda tópicos importantes que reforçam esta compreensão.

Ler Marx foi lançado originalmente pela editora alemã Eichborn e a versão brasileira está sendo lançada pelo próprio Crítica Radical, que conta com uma editora própria.
Durante o lançamento acontece debate com o tema “Marx, revolução e mancipação: a despedida do capitalismo”.

Leia um trecho do prefácio do livro, de autoria do próprio Kurz:
A teoria crítica do século XXI tem de ir naturalmente além de Marx, como já foi dito muitas vezes. Mas, se considerarmos a história da modernização até hoje, este postulado revelou-se repetidamente uma lamentável recaída para trás de Marx, uma tentativa de deformar a sua teoria crítica através de uma metodologia das mais positivistas, de incorporá-la na economia política, de substituir a crítica da economia política por uma economia política “marxista” positiva e adaptá-la às exigências da política parlamentar, numa palavra, de desembaraçar-se de toda a reminiscência desagradável do “outro” Marx, e de sentir-se à vontade em pleno capitalismo com os conceitos alternativos demasiado modestos (ou miseráveis, no capitalismo de Estado). Em contrapartida, para ver para além de Marx, é indispensável retomar na sua teoria o aspecto desacreditado e posto de parte com uma algaraviada confusa. Para poder verdadeiramente ultrapassar Marx é preciso içar-se para os seus ombros, em vez de o fazer vergar a espinha dorsal.

Mais informações: http://criticaradical.org/ e https://www.facebook.com/criticaradical/
Contato: Jorge Paiva ou Célia Zanneti (85) 98516.6453

Serviço:
O que: lançamento do livro Ler Marx e debate sobre
Quando: quinta-feira, 16 de novembro a partir das 18h30
Onde: na Associação dos Docentes da UFC (ADUFC) – av. da Universidade, 2346, Benfica- Fortaleza-CE

03 outubro, 2016

Eleições 2016: quem venceu foi o protesto

Artigo também publicado no Blog do Eliomar

E essas são as questões: alguém é eleito de qualquer maneira e quase sempre você se arrepende depois de votar.

Houve sim um grande vencedor no 1º turno das eleições deste ano. Não foi nenhum candidato, partido ou coligação. Foi o protesto.

A abstenção, somada aos os votos brancos e nulos, superou o 1º colocado em nove capitais do país. Fortaleza teve o maior índice de rejeição eleitoral neste século, com um em cada quatro eleitores protestando.
Em São Paulo, João Dória (PSDB) teve 3.085.187 votos. Somando abstenções (1.940.454), nulos (788.379) e brancos (367.471) chega-se a 3.096.304.

Em Belo Horizonte temos 741.831 de abstenções, brancos e nulos contra 710.797 da soma dos dois candidatos mais votados, João Leite (PSDB) e Kalil (PHS).
No Rio de Janeiro, o protesto foi ainda mais impressionante. Somente a abstenção chegou a 1.189.187 contra 1.395.625 da soma dos dois candidatos mais votados, Crivella, do PRB e Freixo, do Psol. Brancos, nulos e abstenções perfazem 1.846.621.

Em Fortaleza, somadas as abstenções (288.362), nulos (82.342) e brancos (35.443) temos 406.147 eleitores, número superior ao obtido pelo Capitão Wagner (PR), segundo candidato mais votado, que teve 400.802 e vai para o segundo turno com o atual prefeito Roberto Cláudio (PDT).

Em todas as capitais, o número de abstenções (eleitor apto a votar e que não compareceu às urnas) é muito superior ao voto nulo e voto em branco. A abstenção é um protesto diferente do voto nulo e do branco. É uma desobediência clara de quem vai contra o sistema,  pois o voto no Brasil continua obrigatório.

Há todo um esquema de pressão para que o eleitor vote. Desde a obrigatoriedade imposta pelo Estado, passando pela Propaganda Eleitoral Gratuita (que de gratuita não tem nada e está custando R$ 576 milhões aos cofres públicos em isenção de impostos), às campanhas milionárias dos candidatos e cretinices com o voto útil. A frase postada pelo dep. Eduardo Cunha, em seu perfil no Twitter no dia da eleição, é emblemática: “Alguém será eleito de qualquer maneura (sic) faça logo sua escolha para não se arrepender depois”. E essas são as questões: alguém é eleito de qualquer maneira e quase sempre você se arrepende depois de votar.

Há uma desilusão generalizada, mas também há revolta e indignação com a política partidária e a democracia representativa. O sujeito é eleito e, durante quatro anos, quem o elegeu não tem nenhum controle sobre o que ele faz.

No Legislativo, quase sempre você vota em um candidato e elege outro. Prova disso, é que dos 513 deputados do Congresso Nacional, só 38 foram eleitos com os próprios votos.
Em Fortaleza, o 5º candidato mais votado para vereador, Aílton Lopes (Psol), não foi eleito devido ao quociente eleitoral.

Em Jati, interior do Ceará, a prefeita eleita só precisava do próprio voto pois foi candidata única. Um bode, que a oposição lançou como candidato de protesto, foi abduzido antes das eleições.
Além destas “distorções”, continuam em vigor velhas práticas de corrupção, caixa 2, violência e assassinatos, compra de votos etc.

A Lei do Ficha Limpa se mostrou um tremendo fracasso e o volume de recursos gastos nas campanhas (até agora, R$ 2,131 bilhões), mostra que o dinheiro continua entrando a rodo.
O Brasil caminha para uma situação mais radical que a descrita no romance  “Ensaio sobre a lucidez”, do escritor português José Saramago. No livro, 70% da população vota em branco, instaurando uma crise em um país fictício. Aqui, milhões estão se abstendo do processo eleitoral na marra.

Está clara a falência da democracia representativa e deste modelo político partidário. Uma parte das pessoas que participaram do protesto nas eleições o fez por desilusão, de forma espontânea. Mas outra parcela se absteve devido a atividade de grupos, pessoas e organizações que buscam uma saída para a crise fora dos marcos da política tradicional.

Um destes grupos é o Crítica Radical, que há anos atua em Fortaleza e faz campanha pelo “Não Voto”. Em um dos documentos recém divulgados, eles convocam a população a construir um movimento cujos participantes “não querem mais ser representados por representantes que na verdade querem manter a população numa servidão voluntária ao sistema, seu estado, seus partidos, seus políticos e candidatos que na crise do limite interno e externo do capitalismo administram a barbárie e a extinção do planeta”.

Isso é loucura? Me parecem mais lúcidos do que aqueles que continuam a se prostrar frente aos velhos e carcomidos espantalhos da política, já abandonados por grande parte da população.

O Crítica Radical está convidando para uma reunião no próximo sábado, 08/10, na Faculdade de Arquitetura da UFC às 9h30. Em discussão, a construção deste movimento e de uma assembleia autônoma da população de Fortaleza. Eu vou.

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