29 junho, 2015

Um metrô “pra inglês ver”

 Usuários do Metrô de Fortaleza (Metrofor) continuam sendo vítimas do descaso e irresponsabilidade do Governo do Ceará.
Mesmo cobrando passagem desde outubro de 2014 e tendo havido extensão no horário de circulação dos trens, a situação continua precária. Os trens circulam de 6h40 às 19h, de segunda a sábado.
Não há definição com relação aos horários intermediários em que os trens circulam e nem sobre a quantidade dos mesmos. Há quatro composições, mas normalmente o Metrofor funciona com 2 ou 3 trens pois há quebras e panes constantes, embora o próprio site do Metrofor afirme que em 2009 foi firmado contrato para aquisição de 20 composições.
Diariamente há atrasos no serviço que muitas ultrapassam uma hora entre a circulação de um trem e outro, prejudicando usuários. Muitas vezes também o serviço é suspenso a qualquer momento, como aconteceu na sexta-feira, 26/06/15. Eu estava em um dos trens que parou na estação Parangaba. Os seguranças pediram para os passageiros descerem pois a estação Benfica estava alagada e não havia previsão de retorno do funcionamento do serviço. Quando isto acontece, não é devolvido o dinheiro da passagem aos passageiros, apenas o bilhete, que é inútil naquele momento visto que o metrô não está funcionando. O portal O Povo publicou matéria sobre a pane. Nela inclusive eu questionei como se pode entender um metrô que alaga em plena seca (havia chovido apenas 0,9 mm).

Uma história cabeluda

O projeto do metrô de Fortaleza é de 1987 e as obras, previstas para serem concluídas em 2 anos, iniciaram somente em 1999 e ainda não terminaram. Com todo este tempo de atraso, a Linha Sul do metrô ainda conta com duas estações inconclusas e tem funcionamento precário. A chamada operação assistida, iniciada em junho de 2012, quando o governador Cid Gomes(Pros) inaugurou o metrô junto com a presidente Dilma Roussef(PT), deveria durar seis meses. Se arrastou por mais de dois anos. Passou a funcionar comercialmente em 1º de outubro de 2014, pouco antes das eleições. Situação continua precária. Legado infame dos governadores Tasso Jereissati, Ciro Gomes, Lúcio Alcântara e Cid Gomes. Na prática, o atual governador do Ceará, Camilo Santana, que foi candidato de Cid Gomes, pretende dar continuidade ao descaso. Não bastasse isso, ele pretende privatizar o metrô. Até hoje a Linha Sul do Metrofor possui 2 estações inconclusas e que não são usadas. Nelas, as obras estão paradas.
Em 2014, o Tribunal de Contas da União constatou que a obra do Metrofor foi superfaturada. As obras da Linha Leste, para as quais foram destinadas bilhões, estão praticamente paradas.
Há ainda uma série de outros problemas relacionados ao funcionamento do Metrofor. Exemplos: Na maioria das estações não há placas de sinalização interna.
O metrô conta com sistema de som e letreiros luminosos nos vagões, mas quase nunca estes são utilizados, tendo os usuários que “adivinhar” em qual estação se encontram. Como os trens foram comprados na Itália, as barras horizontais para as pessoas se segurarem durante o trajeto, foram projetadas para europeus, o seja, são muito altas. O cearense, que é de estatura mediana ou baixa, sofre para conseguir apoio. Isto poderia ser resolvido facilmente colocando alças, que até o momento inexistem.

Governo Camilo só piora a situação

Para piorar a situação, o Governo do Estado do Ceará e a empresa responsável por administrar o  metrô estão reduzindo drasticamente o número de seguranças do Metrofor. Até o início de maio/15, havia uma média de 3 ou 4 seguranças no interior de cada trem. A presença destes profissionais ajudava a coibir agressões, furtos e outras infrações. Além disso, zelavam pelo cumprimento de algumas regras básicas do transporte coletivo tais como garantir assentos prioritários a idosos e gestantes. Havia também um número de seguranças equivalente nas estações. Hoje, muitos destes profissionais foram retirados restando em média somente um segurança em cada trem e dois nas estações.
Não sou defensor do estatismo total, mas a privatização do Metrofor não é solução. Basta ver como funciona o sistema de transporte coletivo (ônibus) em Fortaleza e os serviços das operadoras de telefonia no país. Constroem uma obra gastando bilhões, superfaturam, sucateiam e aí entregam a empresários (que compram muitas vezes usando empréstimos públicos) a preço de banana com casca preta.

Caution e conversa pra boi dormir

Já denunciei esta situação ao Ministério Público Federal, que desde 2002 tem procedimento com relação ao Metrofor. Mas, pelo visto, a apuração caminha a passos de tartaruga com artrite.
Recentemente o Metrô de Fortaleza foi notícia em vários veículos da imprensa internacional pois foi usado de forma indevida e até criminosa para “pegadinhas” de um programa de TV. Embora o irmão do ex-governador Cid Gomes, Ivo Gomes, secretário das Cidades, tenha determinado investigação sobre o caso, até agora ninguém foi punido e nem há garantia de que o seja.
Por fim, como se pode ver nas fotos ao longo do texto, há equipamentos quebrados como escadas rolantes. Mas o respeito á população é tanto que a reparação demora semanas e as placas indicando que deve haver atenção, estão em inglês e além de tudo são mentirosas pois não há ninguém trabalhando.
As fotos são da Estação Parangaba e foram feitas dia 26/05/15. Situação semelhante ocorre na estação José de Alencar. Neste local, a escada rolante está quebrada há mais de um mês.
A quem apelar?

Haroldo Barbosa
Jornalista


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