27 abril, 2015

Rave e Festival em defesa da liberdade de expressão e comunicação, da privacidade e do software livre






Nos dias 24 e 25 de abril de 2015, ocorreram dois eventos fundamentais para quem valoriza a liberdade de expressão e comunicação, a privacidade e o software livre.

Começando na sexta-feira, 24 e terminando no sábado25, ocorreu em São Paulo a Cryptorave. O vídeo abaixo explica o que é o evento e quais os seus objetivos.

https://vimeo.com/121688981

Os vídeos com as palestras da  Cryptorave podem ser acessadas AQUI 

Já no sábado 25, aconteceu o Festival Latino Americano de Instalação de Software Livre – FLISoL. O FLISoL “é um evento internacional, realizado anualmente, e que ocorre de forma simultânea em diversas cidades da América Latina. 

O FLISoL é um evento descentralizado, onde diversas comunidades organizam e realizam seu festival, de forma voluntária, tendo como principal objetivo promover o uso de software livre, apresentando sua filosofia, alcance, avanços e desenvolvimento ao público em geral. O FLISoL acontece, historicamente, no 4º sábado de abril”.

Para saber mais sobre o evento no Ceará, acesse http://flisolce.org/


 

Tive a honra de participar do evento e palestrar em Fortaleza (CE) e São Gonçalo do Amarante (CE). O evento todo foi muito interessante e agradeço aos organizadores, palestrantes e a todos que participaram e contribuíram. Minha palestra teve como tema “Softwares para uma comunicação digital relativamente segura”. 




http://pt.slideshare.net/marloweb/softwares-para-uma-comunicao-digital-relativamente-segura-47460392
Os slides da mesma podem ser acessados em http://pt.slideshare.net/marloweb/softwares-para-uma-comunicao-digital-relativamente-segura-47460392


03 abril, 2015

Prefeito Roberto Cláudio começa a privatização dos terminais de ônibus em Fortaleza


Vídeo gravado em uma terça-feira de fevereiro/15, por volta de 8h30, no Terminal da Parangaba. Em horários de pico, situação é muito pior.


Matéria do jornal O Povo, edição de 03/04/2015, diz que a Prefeitura procura "empresa(s) que queiram investir R$ 84 milhões na reforma e ampliação de cinco terminais de integração de Fortaleza". Este dinheiro seria "economizado" pela Prefeitura para outros investimentos. Em troca, as empresas poderão explorar comercialmente o espaço.
Como diz o jornalista Eliomar de Lima, vamos nós:

1) Historicamente as Parcerias Público-Privadas (PPPs) têm sido uma das formas que os neoliberais encontraram para que o privado se aproprie do público com lucros;

2) Conforme a matéria, “Atualmente, o custo mensal de manutenção dos sete terminais de integração é de R$ 2 milhões por mês.” e “A intenção da Prefeitura é de que o valor a ser pago à empresa para a execução seja igual ou menor a R$ 2 milhões.” (grifo meu). Note-se que o negócio (não tem outro nome) se baseia em “intenção”. Há um dito popular que diz que de boas intenções, o inferno está lotado, talvez mais lotado ainda que os terminais. Se a intenção não der certo, aumenta-se o valor e tudo fica bem (para os administradores obviamente);

3) Alguém em sã consciência acha que empresários vão investir mais R$ 80 milhões sem garantias de retorno e só apostando na "exploração comercial do espaço"? Os terminais vão virar shoppings? O espaço público, doravante administrado por empresários, terá segurança privada e seguirá as regras determinadas por seus administradores, como aquelas dos shoppings, onde preto e pobre já é naturalmente suspeito e só é tolerado quando vai comprar, muitas vezes tendo de passar por algumas revistas, humilhações e até espancamentos por seguranças da empresa? Um mau exemplo da privatização de terminais em Fortaleza, é o do Terminal Rodoviário Engenheiro João Thomé. Entregue graciosamente pelo governo do estado à administração privada, possui péssimos (e caros) serviços. Há uma absurda taxa de embarque que é obrigatória, mesmo em um equipamento público. Quer ir ao banheiro? Paga. Precisa guardar um volume? Paga. Preços das lanchonetes, restaurante, farmácia etc. são pra lá de inflacionados. Más condições de higiene, de acomodação de passageiros e de segurança, além de ausência de fiscalização também estão na lista. E voltando aos terminais de ônibus, também não está claro o que acontecerá com os comerciantes que trabalham neles no momento.

4) Ainda segundo a matéria, “A Prefeitura garante que não haverá impacto na tarifa do transporte público ou cobrança de taxa de embarque”. Garantia tão vã quanto as promessas de campanha do prefeito. De início talvez não haja, mas e depois? Mesmo que o prefeito Roberto Cláudio cumpra essa promessa, o que particularmente duvido, quem assegura que seus sucessores o farão?

5) Os terminais de ônibus de Fortaleza, que integram o Sistema de Transporte Coletivo, são fonte de tormento diário para mais de um milhão de pessoas. Verdadeiras sucursais do inferno, foram construídos ainda na década 90 e até hoje nunca passaram por reformas amplas em sua estrutura, exceção do Terminal de Antonio Bezerra, que mesmo com a reforma, continua caótico. Existe superlotação, desorganização nas filas, falta de fiscalização quanto ao horário dos ônibus (cuja prioridade não é a melhor circulação de passageiros), assaltos, fossas estouradas, falta de abrigo adequado do sol e da chuva etc. Moro em Fortaleza há mais de 20 anos sou usuário do transporte coletivo. A única vez vi um fiscal da Etufor trabalhando fora dos terminais, foi controlando os horários da linha de ônibus que vai do Centro até o Aeroporto Internacional Pinto Martins, e isto pouco antes da Copa das Confederações, em 2013. Preocupação com turistas e evento privado.
Ao invés de tentar resolver o problema dos terminais com recursos públicos que são desperdiçados de formas diversas, inclusive em obras bem menos necessárias, a atual administração municipal vai agravá-lo e beneficiar empresas, em um precedente perigoso. Parte do respaldo legal a essa ação absurda vem da última reforma administrativa, encaminhada pelo prefeito á Câmara Municipal no final do ano passado e votada literalmente na calada da noite (às 4h da madrugada) por vereadores, sem discussão com a população ou servidores municipais.

6) Os problemas dos terminais tais como superlotação, insegurança, estrutura precária e outros, são comuns a hospitais, postos de saúde e outros órgãos públicos. No caso da saúde, o prefeito já mantém uma privatização disfarçada através da terceirização. Isso vem deste a gestão anterior e se dá através da contratação de uma Organização Social (OS) que de fato funciona como uma empresa privada. Conforme o Portal da Transparência do Tribunal de Contas dos Municípios, em 2014, a gestão RC repassou somente ao Instituto de Saúde e Gestao Hospitalar (ISGH), mais de R$ 135 milhões. Este ano a cifra já ultrapassa R$ 25 milhões. Se conseguir privatizar os terminais, vai fazer o mesmo com hospitais, escolas, creches e outros? Bom lembrar que a atual gestão coloca claramente o que é público a serviço do privado. E faz isto de forma descarada. Exemplo é a atual titular da Secretária de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza (Seuma), que ano passado foi premiada pelas construtoras por “agilizar” alvarás de construção.

Este artigo também foi publicado no Blog do Eliomar

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