Semana passada, publiquei neste
blog um artigo onde tratei das contas de campanha do prefeito
Roberto Cláudio, que foi eleito pelo PSB, passou pelo Pros e hoje já
está no PDT. No artigo, afirmei achar curioso que, conforme declarou
à Justiça Eleitoral, sua campanha arrecadou R$
18.553.400,00. Deste total, R$ 12.601.800,00 foram doados pela
Direção Nacional e Distrital,
suponho que do Partido Socialista
Brasileiro (PSB), pelo qual foi candidato à época.
Parece óbvio
que estes mais de R$ 12 milhões injetados pelo partido em sua
campanha não vieram somente do Fundo Partidário ou de doações de
filiados.
No entanto, o
que me chamou
atenção é que quase todo o restante foi doado por 16
empresas e duas pessoas
físicas, com um valor de R$
5.498.000,00, aproximadamente
30% do total das doações.
Se separarmos
estas 16 empresas por ramo de
atuação, a maioria são construtoras.
Somente duas
delas, a Maciel Construções e Terraplanagens Ltda. e a Construtora
Samaria Ltda, de 2013 até hoje, receberam da Prefeitura de Fortaleza
uma quantia superior a R$ 100 milhões.
Em pelo menos
uma ocasião, as duas construtoras, juntamente
com a Construtora Marquise, foram contratadas com dispensa de
licitação. O Diário
Oficial da PMF, Nº 15.040, de 22/05/13, traz um Extrato de
Contrato de Prestação de Serviços “de capinação e raspagem com
pintura de meio fio, varrição, limpeza de canais, riachos, boca de
lobo e terrenos baldios; coleta e transporte até a destinação
final dos resíduos sólidos gerados no perímetro urbano de
Fortaleza”.
Dividido em 3 lotes, o
contrato tem o valor de quase R$
30 milhões e foi assinado à
época pelo presidente da
Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (SCSP), João Pupo,
e pelo presidente da então
Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb), José Ronaldo
Rocha.
No início de
setembro deste ano, garis contratados pelo Consórcio Fortaleza
Limpa, que haviam sido demitidos sem direitos trabalhistas e estavam
com salários atrasados, realizaram protesto em
frente do Paço Municipal.
Conforme
matéria do jornal O Povo,
em 10/09/15, após o protesto e em audiência no Ministério Público
do Trabalho do Ceará (MPT-CE), as empresas se comprometeram a pagar
as dívidas. Um representante dos trabalhadores denunciou que está
havendo “quarteirização”, pois uma cooperativa de caçambeiros
teria sido contratada pelo Consórcio para executar os serviços. A
Prefeitura informou que o contrato permite isso.
E,
neste ano, o prefeito anunciou que está investindo pesado nas
Parcerias Público Privadas (PPPs), uma forma de privatizar bens e
serviços públicos. Somente para a reorganização do Centro, está
previsto R$ 1,2 bilhão.
Conforme
matéria
do jornal Diário do Nordeste, edição de 02/10/15, “ Em
Fortaleza, estão sendo realizadas algumas parcerias e concessões em
diferentes áreas que vão da mobilidade urbana a hospitais. Outras
estão em prospecção e serão feitas em parceria com o Sindicato
das Construtoras do Ceará (Sinduscon-CE), mas o prefeito não deu
detalhes”.
No
artigo anterior, perguntei se estava correto o ditado “quem paga a
banda, escolhe a música”. Qual sua resposta?