Um dos melhores textos que li este ano foi "Antiautoajuda para 2015" da Eliane Brum. Nele a autora escreve "Em defesa do mal-estar para nos salvar de uma vida morta e de um planeta hostil".
Vivemos em uma sociedade onde há "eterno presente" e, segundo Guy Debord, a cacofonia do espetáculo nos tornou surdos a tudo, inclusive a nós mesmos. Faliram o Estado, o mercado, a política, os partidos... Penso nisso e lembro de "Elegia 1938", poema de Carlos Drummond de Andrade. Chegou o novo século e só recebemos a infelicidade coletiva. Ainda há tempo?
Elegia 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro,...