24 dezembro, 2018

Feliz o quê?

Texto também publicado dia 25/12/18 no Blog do Eliomar

Ontem um amigo jornalista me enviou uma mensagem via WhatsApp com um “Feliz” seguindo de um emoji de uma árvore de natal. Achei a iniciativa singela e plagiei descaradamente.


Hoje cedo, enviei a mesma mensagem a pessoas próximas. Uma delas, um professor, me respondeu com “E o restante do ano? E os 365 dias seguintes? E os anos perdidos? E as perspectivas dos anos que virão com esse sistema esmagando os(as) trabalhadores(as) de todo o mundo e dilapidando a Natureza?”.


Argumentei que a gente teria muitos dias à nossa frente para lutar e que um dia de trégua não mata ninguém né? Ele respondeu que “Não poderia ser outro dia? Por exemplo, o Dia de Finados pra gente lembrar do barbudo alemão? Natal é o dia mundial da hipocrisia mercantilizada.”

Faço essa pequena crônica pensando no seguinte: no ano que termina, nós que somos contra o sistema e a hipocrisia mercantilizada, não conseguimos fazer valer nossas narrativas, basicamente porque não houve diálogo. Houve sim um festival de fraudes, mentiras e brutalidade que começou antes da eleição e continua depois dela. E se não modularmos nosso discurso e encontramos alternativas para dialogar, será ainda mais difícil enfrentar esses 365 dias bicudos sob um governo claramente fascista que elegeu como alvos prioritários educadores, jornalistas, ativistas de esquerda, trabalhadores e pobres.


Ano passado, conversando com outro jornalista no Twitter sobre o texto “Natal usurpado”, lá pelas tantas ele pediu “Apascente seu coração neste Natal, @Haroldob, leia as entrelinhas e frua da beleza do texto de Carlo Tursi.”


Não apascentei meu coração. Continuo achando, como meu amigo professor, que o natal é uma festa comercial, impulsionada pela Igreja Católica que canibalizou uma série de tradições de outros povos e que há muita hipocrisia.


Mas também acho que não há mal nenhum em desejar feliz natal (até a estranhos) e aproveitar este momento para uma pausa merecida, para confraternizar, fortalecer nossos laços de amizade e refletir sobre as contradições do mundo em que vivemos e do que teremos de enfrentar. Como disse o poeta Sérgio Vaz “Abra os braços. Segure na mão de quem está na frente e puxe a mão de quem estiver atrás”. Feliz natal!

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