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21 dezembro, 2012

Sonora com Roberto Cláudio, prefeito eleito de Fortaleza

Durante o anúncio do secretariado municipal, dia 20/12/2012, no Hotel Marina Park, a assessoria de comunicação do Sindifort entrevistou o prefeito eleito Roberto Claúdio (PSB), sobre qual será a posição da futura gestão com relação aos servidores municipais e suas demandas.
 No mesmo dia conversamos com Eudoro Santana (que coordenou a equipe de transição e será titular do Instituto de Planejamento de Fortaleza) e Walter Cavalcante (candidato à presidência da Câmara Municipal de Fortaleza).

08 março, 2012

Homenagem às mulheres

Aproveito o 8 de março, Dia Internacional da mulher para prestar uma homenagem às belas & às feras usando as palavras de 3 das minhas poetas preferidas.


Todas as Vidas

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço…
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo…
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha…
tão desprezada,
tão murmurada…
Fingindo ser alegre
seu triste fado.
Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida -
a vida mera
das obscuras!

Cora Coralina
Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado
SONETO

Pergunto aqui se sou louca
Quem quer saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu

Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida

Pergunto aqui meus senhores
quem é a loura donzela
que se chama Ana Cristina

E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?

Ana Cristina César
 
 
 
 

05 fevereiro, 2012

Jornalista/assessor de imprensa tem que ser polivalente

Foi-se o tempo em que bastava ter um bom texto e um canudo para ser jornalista. Hoje, ter um bom texto continua sendo fundamental. Quando ao canudo nem tanto, apesar do corporativismo desesperado das entidades sindicais que, quando terminar a pendenga do diploma, ficarão sem ter como mobilizar a categoria, visto não tratarem de questões essenciais ligadas à comunicação e aos direitos sociais. Exemplo? Não se ouviu um pio da Fenaj nem de outras entidades que dizem representar os jornalistas sobre a censura na internet (SOPA, PIPA, ACTA, AI5 Digital...). As entidades também não questionam os profissionais que possuem canudo mas violam diariamente as normas éticas que elas mesmas apregoam em manuais e discursos. Quando à Fenaj questionou algum jornalista da Revista Veja?
Mas voltando à idéia inicial, cada vez mais é necessário ser polivalente e ágil. Diagramar, fotografar, ter noções de gravação e edição (vídeo e aúdio), atualizar sites, operar nas redes sociais etc. A agilidade e isso sem comprometer a qualidade da informação, tornou-se obrigatória. Como diz o professor  Rosental Calmon, jornalista tem que ser multimídia.
Por outro lado essas exigências aumentam a carga de trabalho, o nível de exigência e o stress para os profissionais da área. Continua a discussão sobre ser  multimídia ou multitarefa.
No sábado, 04/02/12, tive mais uma vez uma amostra desse cotidiano. Como assessor de imprensa do Sindicato dos Servidores e Empregados  Públicos do Município de Fortaleza  (Sindifort) , estava ao mesmo tempo fotografando à mobilização dos agentes de trânsito da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania de Fortaleza (AMC), em greve desde o dia anterior, fazendo sugestões de pauta a produtores e redatores dos portais, TVs e jornais, auxiliando os diretores do sindicato no contato com os repórteres, enviando fotos e textos aos portais e atualizando o site do Sindifort. Duas fotos foram inclusive usadas pelos portais Cnews da TV Cidade e G1 da TV Globo.

Abaixo uma sonora  com o professor Rosental Calmon feita pelo grande Eliomar de Lima.

24 janeiro, 2012

O autoritarismo ianque e a Vendetta do Anonymous



Adotando o rosto (que é uma máscara) de um personagem real, Guy Fawkes, que virou personagem de história em quadrinhos - V de Vingança, o Coletivo Anonymous está retaliando pesado a iniciativa dos EUA que tiraram do ar sites de compartilhamento de arquivos na internet.
O primeiro desses sites foi o MegaUpload, cujo dono e funcionários foram presos e tiveram bens confiscados sem que houvesse processo legal ou julgamento.
Isso aconteceu no dia seguinte (19/01/12), ao protesto realizado por milhares de sites, portais e blogs contra duas leis norte-americanas, SOPA e PIPA, que limitam de forma arbitrária a liberdade na internet.
Já durante as manifestações do dia 18, que tiraram do ar sites como a Wikipedia em língua inglesa e da Free Software Fundation, deputados, senadores e lobistas dos EUA começaram a recuar da aprovação do projeto. No entanto, demonstrando a arrogância e a truculência costumeiras, o FBI a mando de Barak Obama deu início ao fechamento do MegaUpload. Duas ou três horas após, o Anonymous iniciou ataques que na noite do dia 19, tiraram do ar os sites do FBI (fbi.gov), do Department of Justice (Justice.gov), da Motion Picture Association of America (MPAA.org) e da Universal Music (UniversalMusic.com). Nos dias seguintes vários outros sites foram derrubados, ou tiveram a página inicial trocada por mensagens contra o SOPA e o PIPA por iniciativa de defacers. A retaliação levou o nome de Operação MegaUpload e uma das hashtags mais usadas no twittter nos últimos dias tem sido justamente #OpMegaUpload.
No Brasil, até o momento, foram derrubados ou pichados vários sites. Entre eles o do senador Michel Temer (http://www.micheltemer.com.br), da Caixa Econômica Federal (http://www.caixa.gov.br/), do Banco Itau (http://www.itau.com.br/), do Governo Eletrônico (http://www.e.gov.br), do Portal Brasil (http://Brasil.gov.br) e vários outros, Um dos mais atacados foi o da Secretaria de Segurança de São Paulo (http://www.ssp.sp.gov.br/) que no domingo, 22 de janeiro, e dias posteriores, promoveu o desalojo da comunidade Pinheirinho, de forma violenta. A lista completa pode ser acessada no blog anonops. O grupo protesta também contra uma legislação europeia similar ao SOPA, chamada ACTA.
O Anonymous também disponibilizou toda a discografia da SonyMusic através de torrents e promete trazer de volta o site do MegaUpload, que no momento já está no ar, mais ainda sem arquivos.
Os ataques desfechados usaram DoS ou DDoS ou Ataque de Negação de Serviço. Basicamente inunda-se o servidor web onde o site está hospedado com uma enxurrada de requisições que sobrecarregam o servidor e tiram o site do ar. Isto não causa dano aos arquivos e algumas horas depois o site volta a funcionar. O LOIC foi um dos softwares usado nos ataques. O Anonymous divulgou ainda sites nos quais internautas poderiam participar dos ataques de forma voluntária e sem ter o software instalado em seus micros.

Quem não pode com o pote, não pega na rodilha

Talvez seja exagero falar como alguns fizeram em primeira guerra online ou Word Wide War, mas o conflito desencadeado pelo governo dos EUA parece estar tomando proporções que eles mesmos não dimensionavam, assim como não dimensionaram as ocupações do Iraque e do Afeganistão.
É bom lembrar que há tempos os EUA e seus aliados atacam o WikiLeaks e tem feito de tudo para tirar o site do ar. A retirada do site do MegaUpload e a prisão de seus integrantes representa não só um atentado contra a liberdade de expressão, mas um precedente perigoso. nenhum dos que foram presos é cidadão norte-americano e tiveram bens confiscados sem direito à defesa. Como Disse o Avelar, é “A Polícia a serviço do Copyrigth”. Entre as razões, estão as doações hollywoodianas para as campanhas eleitorais, inclusive do próprio Obama. É bom lembrar também que enquanto o presidente dos EUA fecha o MegaUpload e prende os responsáveis pelo site, mantém aberto co campo de concentração de Guantánamo, totalmente contrário a qualquer tratado de direito internacional e que fere basicamente todos os preceitos apregoados pelos EUA quando falam em liberdade, democracia e respeito às pessoas.
Embora não hajam provas, todos sabem a quem interessava e quem tinha condições para criar o vírus Stuxnet, que danificou as centrífugas do Programa Nuclear Iraniano. Isso equivale no mínimo a uma ação similar a do Anonymous, mas por razões bastante diversas.
Você já se perguntou por que só os governantes dos EUA e as megacorporações podem determinar qual conteúdo da internet e como este deve circular? Já tentaram isso como na época da guerra dos browsers e foram derrotados. Não creio que desta vez seja diferente!
Nos anos 80, em sua “V de Vingança”, Alan Moore e David Looyd mostravam uma sociedade paranoica, alienada e controlada por um estado policialesco e totalitário, para não dizer fascista, baseada na Inglaterra de Margareth Tatcher e talvez nos States de Ronald Reagan. No prefácio da HQ, Moore diz que “...este está virando um lugar frio e hostil”. Definitivamente não queremos uma internet assim.

Este artigo também foi publicado no Portal Comunique-se
Uma nota de rodapé: a forma como a grande imprensa tem tratado essas questões é no mínimo estranha. Um exemplo: a Folha de São Paulo, ao noticiar “, trouxe o seguinte trecho: “O site The Hill entrou em contato com o Departamento de Justiça, mas seu porta-voz não confirmou o ataque." E precisa de porta-voz? Não bastam um computador com browser e conexão? No momento em que a matéria foi veiculada, o site do Departamento de Justiça dos EUA estava offline. Também não foi noticiada a queda da maioria dos sites brasileiros.
Por fim, recomendo uma matéria interessante sobre o Coletivo Anonymous que pode ser encontrada na Revista Fórum.

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