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06 dezembro, 2022

Uma festa punk

 

Livro conta história do Movimento Punk de Fortaleza a partir das experiências de um dos seus primeiros integrantes

No sábado, 10/12, haverá o lançamento do livro “Os velhos dias”, de Will Lezado Ruas. O livro traz parte significativa da história (ou das histórias) do Movimento Punk de Fortaleza, contada por um dos seus primeiros integrantes.

Um misto de diário pessoal, tratado etnográfico, manifesto político, livro de poemas e canções e documento histórico.

O texto foi manuscrito pelo Lezado em um caderno escolar, circulou, depois foi datilografado por ele mesmo em uma máquina de escrever doada por um amigo, circulou mais um pouco e agora chega em formato impresso pela ação dos próprios integrantes do movimento. Nesse novo formato está mantida a ideia original do projeto gráfico da fotocópia e máquina de escrever. O livro traz ainda várias fotos da época em que foi escrito e está sendo publicado em um projeto coletivo da DIYfusão Editora.



Lá estão os festivais , a falta de perspectiva da juventude pobre e periférica de Fortaleza no final dos anos 80 e começo dos anos 90, as festas, as prisões, mortes, as reuniões, passeatas etc. Mas também muito lirismo e coragem pra viver e enfrentar o capitalismo. Com música e rebeldia.




Certa vez vi em um jornal local cujo objetivo parecia ser chamar a atenção para um vocalista de uma banda daqui, a história mal contada do movimento, idolatrando a figura do Dedé Podre e baseada em um cara que morava na suécia e tinha cadernos com escritos do Dedé e sobre o movimento.

Contestei. Não precisa ir a Suécia para saber a história do punk em Fortaleza, que não se resume a uma figura. Muitos dos/das integrantes estão vivos. Alguns/algumas, ainda punks. Até hoje fico (fico?) admirado com a falta de estudos e publicações (com exceção dos zines publicados pelos integrantes do movimento) sobre o punk em Fortaleza, quiçá no Ceará. Este livro preenche parte dessa lacuna.

O lançamento será durante o Festival de Filmes Punk e Anarquista de Fortaleza e terá show de bandas punk, inclusive da Grilus Sub, banda na qual o Lezado tocou por vários anos. Haverá também  feirinha e outras atrações. O lançamento é também uma homenagem póstuma, pois o Lezado faleceu em 2018.

Serviço:
Lançamento do livro “Os velhos dias”.
Quando: sábado, 10 de dezembro, a partir das 15h
Onde: Las Crias, avenida da Universidade, 2064
Preço do livro  para pré-venda: R$ 25,00


28 setembro, 2022

NO DOMINGO, ELES PASSARÃO. NÓS PASSARINHO.

 


Artigo publicado em 28/09/22. Também no Portal O Povo

Não podemos dar chance ao genocida, que ocupa o cargo de presidente, a ter mais um mês de campanha,  arrastando para um segundo turno a eleição


Domingo eu vou votar. E vou votar com a certeza de que não estamos vivendo uma eleição normal. 

Como escreveu Conrado Hübner,  professor da USP, em artigo intitulado  É voto de sobrevivência, não é voto útil:  “A eleição presidencial de 2022 converteu-se numa eleição existencial. Se quiser provas, percorra as páginas do jornal de hoje, de ontem, de amanhã. Não se compara com qualquer eleição entre 1994 e 2014. Nem mesmo à eleição de 2018. Por nenhum critério relevante. Somente a indiferença ou a cegueira à espiral da violência política, do armamento militante de grupo atiçado por filosofia política da supressão do mais fraco, levam a conclusão diferente.”

É uma eleição para começar a pôr fim à essa distopia presente na qual o Brasil se enfiou.

Um exemplo: temos 33 milhões de pessoas que não têm o que comer no país. Regredimos 30 anos em quatro. Para quem pode se alimentar, isso parece só um número. Não é. Essa fome não é a que você sente entre o almoço e o jantar. Sei porque já passei.

Não podemos dar chance ao genocida, que ocupa o cargo de presidente, a ter mais um mês de campanha,  arrastando para um segundo turno a eleição e facilitando uma  tentativa de golpe, aprofundando esse clima de ódio com agressões, assassinatos, mentiras e medo.

Bolsonaro se alimenta de ódio e confusão. Citando novamente Hubner “um segundo turno é a colher de chá que deseja: o prêmio de quatro semanas em que pode disparar, sem afetar interesses eleitorais de aliados, seu arsenal atômico”.  A eleição para presidente precisa ser resolvida em 1º turno, neste domingo.

Não há terceira via na luta contra o fascismo. Esse discurso de “despolarização” de Simone Tebet e, principalmente Ciro Gomes, podem dar a Bolsonaro o que ele quer. Até Xuxa e Angélica Huck, que já declararam voto em Lula, apresentam mais lucidez e compromisso.

Daqui até o dia 2, converse com parentes, amigos, colegas e até desconhecidos. Pergunte(se) o que melhorou na vida desde que esse elemento foi eleito. Vire votos.
E no domingo, vote contra o genocídio, o ecocídio, a fome, o fascismo e a corrupção. Lembre dos quase 700 mil mortos por covid e que muitos deles poderiam estar vivos. Lembre-se de Moa do Katendê, Marcelo Arruda, Antônio Carlos Silva e tantas outras vítimas. Vote contra a morte. Vote pela vida, pela paz e pela democracia. Citando o poeta Mário Quintana, e com a devida licença poética, quanto a esses que atravancam o nosso caminho,  “eles passarão/nós passarinho”.  Vote 13,  vote Lula!

E se for eleitor do Ceará, ouça o recado da governadora Izolda Cela: "Nem capitão cá, nem capitão lá."

09 dezembro, 2021

Uma gente careta e covarde

 


O que leva uma pessoa na condição social desse catador a pendurar esse trapo verde e amarelo em seu carrinho? Patriotismo por um país que o leva, devido ao desemprego, a um trabalho desumano e brutal, condição compartilhada por milhões, alguns até em situação pior? Tática de sobrevivência para não ser atropelado ou agredido por bolsominions, aqueles que odeiam pobres ? Um misto?

O que nos leva a aceitar passivamente, como se estivéssemos dopados, o genocídio, a corrupção escancarada, o aparelhamento das instituições e órgãos públicos e  a destruição do país?

A continuidade do governo Bolsonaro, o genocídio e essa destruição só são possíveis devido a Lira e a Pacheco (antes Maia e Alcolumbre), à maioria desse Congresso, constituída de criminosos, picaretas e vendidos, a Aras e ao acovardamento do STF.

As Forças Armadas são também mais que cúmplices. São artificies desse projeto, que teria naufragado sem a valiosa ajuda de Moro, Dallagnol, Tasso, Dória etc. Por trás, os grandes empresários, banqueiros, latifundiários e especuladores. É o óbvio, mas as vezes é preciso dizê-lo.

Seguimos rumo à barbárie e a destruição em um capitalismo ecocida e genocida, amparado pelas tecnologias da informação e com uma comunicação mediada por algoritmos. Meros espectadores do espetáculo do fim do mundo. Pessoas miseráveis. “Essa gente careta e covarde”.


Texto também publicad nos portais Segunda Opinião e O Povo Online

26 agosto, 2021

“Marco temporal”: não verás país nenhum?

 

 Créditos: APIB



O STF deve votar nesta quinta-feira, 26, o “marco temporal”, que trata sobre a demarcação de terras indígenas. A votação deveria ter ocorrido ontem, mas foi novamente adiada, sendo este o quarto adiamento em dois meses. Basicamente o “marco temporal” propõe delimitar apenas os territórios ocupados por indígenas antes de 1988. Aproximadamente sete mil indígenas estão acampados em Brasília para acompanhar o julgamento.


Se aprovado pelo STF, o “marco temporal” será um golpe definitivo na resistência à política de destruição ambiental e de direitos dos povos originários que vem sendo aplicada no país. O julgamento já começa de forma errada pois vão julgar um único caso (pedido de reintegração de posse do governo de Santa Catarina contra o povo Xokleng) tendo este julgamento repercussão geral em todo o país.


Se esse absurdo for aprovado, fortalecerá a política criminosa do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro e de seus aliados, que vem destruindo o meio ambiente, desrespeitando a vida e os direitos dos povos originários e cometendo um verdadeiro ecocídio.


Até maio de 2020, o governo já havia autorizado mais de 250 mil hectares de fazendas em terras indígenas, sendo que parte delas foram autorizadas antes da Funai permitir registro em terras não homologadas.


Na terra indígena Yanomami, garimpeiros atacam aldeias a tiros e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) está ligada à atividade de garimpos ilegais em terras indígenas e à lavagem de dinheiro usando ouro. Segundo o governador de Roraima, Antonio Denarium (sem partido), “todo o ouro produzido no estado de Roraima sai clandestino do estado”. Os bolsonaristas preferem negar essa realidade e culpar mais uma vez ONGs internacionais.





“A extração de 1kg de ouro de aluvião gera em média 7 hectares de desmatamento e erosão de 15 mil m³ de solo. Uma área demora 30 anos para recuperação de 80% dos serviços ecossistêmicos” (Pedro Gasparinetti, diretor da Conservação Estratégica (CSF-Brasil).


O governo Bolsonaro entupiu os órgãos de fiscalização (Ibama, Funai) de militares e desrespeitou a legislação que estabelece critérios mínimos de formação profissional e acadêmica para fazer isso. Em 2021, o Ricardo Salles e o Ministério do Meio Ambiente foram alvos de operação da PF. Despacho de Salles permitiu a regularização de mais de 8 mil cargas de madeiras exportadas ilegalmente entre 2019 e 2020.


Por sua vez, o tráfico de produtos florestais, principalmente madeira, tem servido de maquiagem para o tráfico de drogas do Brasil para a Europa. Foram identificadas “16 grandes apreensões de cocaína em cargas de madeira destinadas à exportação por via marítima entre 2017 e 2021. Ao todo, as apreensões somaram cerca de 9 toneladas da droga e tinham como destino países europeus”.

Além de traficantes e garimpeiros ilegais, outros que defendem a aprovação do “marco temporal” são os integrantes do agronegócio, grandes proprietários de terras que tẽm devastado o meio ambiente para plantar soja, fazer pastagens e criar gado.

Segundo a ONG Socioambiental “Hoje, 13,8% do território brasileiro é ocupado por terras indígenas, considerando os procedimentos demarcatórios já abertos e dados do DOU. Parece muito, mas a média mundial é maior: 15%...As áreas privadas somam três vezes mais ou 41% do Brasil, segundo o IBGE. Cerca 22% do território nacional é ocupado com pastagem - mas metade disso com algum grau de degradação - e 8% com agricultura, conforme o projeto MapBiomas”.


E para quem acha que o agro é pop, há uma investigação mostrando que parte dos lucros da cocaína são lavados no agronegócio e com elos na política.


Se o “marco temporal” for barrado, poderá reduzir os eventuais danos causados pelo “PL da Grilagem” (Projeto de Lei 2633/20) e que regulariza a ocupação indevida de terras públicas e facilita o desmatamento ambiental.

Em 1981, o escritor Ignácio de Loyola Brandão publicou o romance “Não Verás País Nenhum”. Hoje mais um capítulo dessa história está sendo escrito em Brasília.

Links consultados:

https://apublica.org/2020/05/com-bolsonaro-fazendas-foram-certificadas-de-maneira-irregular-em-terras-indigenas-na-amazonia/?




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