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7 Encontro Brasileiro da Comunidade Python
Em 2011 a Python Brasil acontece na cidade de São Paulo e traz algumas novidades no seu formato. Além de contar com palestras de alto nível e a participação dos principais especialistas em Python, atividades de integração entre todos os participantes estão sendo planejadas. Aproveite esta oportunidade de se reunir com toda comunidade Python brasileira.
Torquato Neto foi jornalista, poeta, letrista e um monte de coisas mais. Viveu parte da vida sob a ditadura militar, estado de exceção mais duro que o atual "regime democrático".
No jornal Última Hora, escreveu a coluna "Geléia Geral" (deixo com acento) , nome também de uma de suas músicas com Gilberto Gil e que virou uma espécie de hino do movimento Tropicália.
Morreu (matou-se/mataram) jovem e deixa uma lacuna e uma ausência sentida nesta época em que o jornalismo e a literatura andam tão trôpegos e necessitados de gente com coragem e talento.
Os textos inicialmente foram publicados na Geléia geral e depois no livro "Os últimos dias de paupéria (Do lado de dentro)". Feliz ano velho, 2015.
Dia 02 de dezembro de 2014, adquiri ingresso para show da artista Renata Rosa na Caixa Cultural Fortaleza, equipamento da Caixa Econômica Federal. O show estava agendado para às 20h. Comprei o ingresso por volta de 19h20 e a vendedora apenas me convidou para visitar uma exposição cultural no local. Agradeci e saí para fazer um lanche. Nada me foi informado sobre que devia estar de volta ao local antes do início do show. Chegue à portaria da Caixa Cultural às 20h3min. A portaria já estava fechada e pelo menos 6 pessoas, contando comigo, estavam tentando entrar. Os seguranças informaram que o portão que dá acesso ao local do show não seria mais aberto e que não adiantava reclamar pois ninguém da produção do evento estava disponível para atender. Em seguida chegaram mais pessoas que também reclamaram inutilmente. Ao menos 9 pessoas deixaram de entrar por um atraso de 5 minutos e o dinheiro dos ingressos não foi devolvido. Lembro que a Caixa Cultural é um equipamento construído com dinheiro público e não pode e nem deve ser administrado da forma atual. Sem avisar, impõem horários mais rígidos que o Palácio de Buckingham.
Fiz reclamação virtual no Procon e no site Reclame Aqui.
Às vésperas de mais uma eleição no Brasil e depois das mobilizações de junho de 2013, vejo ainda a grande maioria das pessoas que anseiam por mudança se debatendo no dilema eleitoral. A velha ideia do "mal menor" ou o "apostar" em uma candidatura "realmente de esquerda" ocupam a maioria das discussões. Não creio em nenhuma dessas hipóteses. Por isso não voto.
Procurando contribuir para uma reflexão e uma abordagem diferentes, publico o texto abaixo. O autor é Anselm Jappe e o texto integra o livro "Crédito à morte". A tradução (excelente) é do Robson Oliveira, militante do grupo Crítica Radical. Boa leitura.
POLÍTICA SEM POLÍTICA
No início, o “primado da política” era uma ideia cara ao jurista do Führer, Carl Schmitt. Mas, desde há muito, foi a esquerda “radical” que uniu seu destino a um “retorno da questão política”, em que a “política” é considerada como sendo em si mesma o contrário do “mercado”. Será preciso, portanto, convencer-se de que a oposição ao capitalismo, ou a suas derivas contemporâneas, deve tocar o que se chama habitualmente de política? É evidente que nada teria mudado se quem tivesse ganhado a eleição de 2007 na França fosse a candidata socialista Ségolène Royal em vez de Sarkozy. Mas mesmo se os trotskistas, que pegaram a batuta dos social-democratas tornados liberais, participassem do poder na França, não abalariam o mundo. Na Alemanha, o “Partido do socialismo democrático” participa dos governos regionais; na Itália, Rifondazione comunista tinha seus ministros; e até mesmo os Centri sociali italianos, com frequência considerados a nata do antagonismo, fornecem secretários às prefeituras. Por toda parte, esses representantes da esquerda “radical” acabam por avalizar políticas neoliberais. Então, seria preciso fundar partidos “verdadeiramente” radicais que não se atolassem na mesma lama? Ou as razões dessas “traições” são estruturais, e a participação na política conduz inevitavelmente a entregar-se ao mercado e às suas leis, independentemente das intenções subjetivas?
Convém, então, colocar uma questão preliminar: o que entendemos nós pela palavra “política”? Há uma confusão semelhante à que rodeia o “trabalho” e sua crítica. Criticar o trabalho não teria nenhum sentido se o identificássemos com a atividade produtiva enquanto tal, que, decerto, é um dado presente em toda sociedade humana. Mas tudo muda quando entendemos por trabalho aquilo que a palavra designa efetivamente na sociedade capitalista: o dispêndio autorreferencial de simples força de trabalho sem relação com seu conteúdo. Assim concebido, o trabalho é um fenômeno histórico, pertencente apenas à sociedade capitalista, portanto pode ser criticado e eventualmente abolido. Com efeito, o “trabalho”, que todos os atores do campo político querem salvar, tanto à esquerda, como à direita e ao centro, é o trabalho entendido em seu sentido restrito. Do mesmo modo, o conceito de “política” deve ser claramente definido. Se o identificamos com o agir coletivo, com a intervenção coletiva dos homens na sociedade, com um amor do mundo (Arendt), é evidente que ninguém poderia ser contra, e uma“crítica da política” somentepoderia ser concebida como uma simples indiferença ao mundo. Masaqueles que pregam habitualmente um “retorno àpolítica” têm uma ideia muito mais específica dosignificado da “política”, cujodesaparecimento, mesmo que em suposição, causa-lhes graves crises deabstinência. A evocação ritual da“política” como única via possívelpara mudar o mundo é o pivô da“esquerda” atual, dos sociólogosbourdieusianos à Multitude, de ATTAC à esquerda“radical” eleitoral. Apesar daintenção manifesta de fazer uma política“completamente diferente”, recaemsempre no “realismo” e no“mal menor”, participam daseleições, exprimem-se sobre os referendos, dissertam em torno dapossível evolução do Partido socialista, querem fazer alianças,concluir algum “compromissohistórico”. Em face desse desejo de“participar do jogo” – e quasesempre na posição de“representante” de algum“interesse” –, é preciso trazerà lembrança os movimentos e momentos de oposição radical que fizeram“antipolítica”: dos anarquistashistóricos às vanguardas artísticas, de certos movimentos no hemisfériosul, tais como Crítica Radical em Fortaleza, Brasil, à greveselvagem de maio de 1968 na França e à insubordinação permanente nasfábricas italianas durante os anos 1970. Essa“antipolítica” fica tão distante da renúncia da intervenção consciente quanto a“antiarte”, a recusa da arte nos dadaístas, surrealistas e situacionistas, que não era uma recusa dos meios artísticos, mas era concebida, em vez disso, como a única forma de permanecer fiel às intenções originais da arte.
Mas será possível crer que a política é a esfera social que poderia permitir a imposição de limites ao mercado? A política seria por natureza “democrática” e oposta ao mundo econômico capitalista onde reina a lei do mais forte?
A sociedade capitalista moderna, baseada na mercadoria e na concorrência universal, precisa de uma instância que se encarregue das estruturas públicas sem as quais não poderia existir. Essa instância é o Estado, e a “política” no sentido moderno (e restrito) é a luta feita em torno de seu controle. Mas essa esfera da política não é exterior e alternativa à esfera da economia mercantil. Ao contrário, ela depende estruturalmente desta. Na arena política, há muitas disputas pela distribuição dos frutos do sistema mercantil – o movimento operário desempenhou essencialmente esse papel – mas não em torno da sua existência. A prova visível: nada é possível em política que não seja primeiramente “financiado” pela produção mercantil, e quando esta última vai a pique, a política se transforma em choque entre bandos armados. Essa forma de “política” é um mecanismo de regulação secundário no interior do sistema fetichista e não consciente da mercadoria. Ela não representa uma instância “neutra”, nem uma conquista que os movimentos de oposição teriam arrancado da burguesia capitalista. Com efeito, a burguesia não é necessariamente hostil ao Estado ou à esfera política – depende da fase histórica.
Os mantenedores contemporâneos da “política” traem a intenção original do “agir”, porque o reduzem a ajustamentos de uma máquina aceita como tal. Hoje, o “agir” deve fazer frente a situações que são por demais graves para serem afrontadas com os velhos meios de que dispõe a política. O contexto é doravante o de uma verdadeira mutação antropológica que tanto é o resultado de mais de duzentos anos de capitalismo quanto de sua autodestruição programada que se tornou visível desde há algumas décadas. Esta regressão se estende até a barbarização. Em face da multiplicação de casos como o de adolescentes que filmam, rindo, com seus celulares, uma colega de classe que acaba de ser morta por um ônibus, para colocar em seguida as imagens no Youtube, não basta evocar o desemprego, a precariedade ou os defeitos da escola: estamos assistindo a uma “regressão antropológica” generalizada (o que não quer dizer uniforme). Essa regressão parece ser fruto de um profundo desmantelamento psíquico coletivo, de uma psicose narcísica, consequência do fetichismo da mercadoria e da relação que ele institui entre o indivíduo e o mundo. Perante essa crise de civilização, ninguém pode honestamente propor remédios com efeito em curto prazo. Mas justamente, já que a situação é tão grave, reforçamos o mal se reagimos dizendo: ajamos rápido e de qualquer maneira, não temos tempo para discutir, a práxis é melhor do que a teoria. Nessa época do capitalismo financeiro e molecular, não podemos nos satisfazer com as formas de oposição da época fordista.
Uma primeira condição para retomar o caminho da perspectiva do “agir” é romper definitivamente e de forma inequívoca com toda e qualquer “política” no sentido institucional. Hoje, a única “política” possível é a separação radical em relação ao mundo da política e de suas instituições, da representação e da delegação, para se poderem inventar em seu lugar novas formas de intervenção direta. Nesse contexto, parece bastante inútil discutir com pessoas que ainda querem votar. Aqueles que, quase cento e quarenta anos depois da introdução do sufrágio universal, ainda correm às urnas só podem merecer as palavras pronunciadas já em 1888 por Octave Mirbeau1 ou, em 1906, por Albert Libertad.2 A conquista do sufrágio universal foi um dos grandes combates da esquerda histórica. Entretanto, o eleitor de direita é menos palerma: ele obtém por vezes o pouco que espera de seus candidatos, até mesmo fora de todo e qualquer programa eleitoral — por exemplo, a tolerância em relação à evasão fiscal e às violações dos direitos trabalhistas. Seus representantes não os traem demasiado; e o eleitor que só vota no candidato que vai empregar seu filho ou obter grandes financiamentos para os camponeses de sua pequena cidade, no fim das contas, é o eleitor mais racional. Muito mais imbecil é o eleitor de esquerda: mesmo sem nunca ter obtido aquilo por que votou, persiste. Não obtém nem a grande mudança nem as migalhas. Deixa-se ninar só pelas promessas. Deste modo, os eleitores de Berlusconi na Itália não são otários, não são simplesmente seduzidos por seus canais de televisão, como seus adversários querem fazer crer. Eles tiraram vantagens limitadas, mas reais, de seu governo (e sobretudo de seu laisser-faire). Mas votar ainda na esquerda depois de ela ter estado no governo só pode ser – e aqui podemos dar razão a Mirbeau – da ordem do patológico.
A recusa da “política” assim concebida não se deve a um gosto estetizante pelo extremismo. Em face da ameaçadora regressão antropológica, apelar para o parlamento é semelhante à tentativa de acalmar um furacão com uma procissão. As únicas propostas “realistas” – no sentido de que poderiam efetivamente significar uma inflexão no curso das coisas – são deste gênero: abolir imediatamente, a partir de amanhã, toda a televisão. Mas será que existe algum partido no mundo que ouse assumir como seu um programa assim? Quais medidas adotamos nas últimas décadas para entravar verdadeiramente o progresso da barbárie? A resposta dada é que pequenos passos são melhor do que nada. Mas onde é que esses pequenos passos foram dados? Há trinta anos, os mais corajosos propunham a instauração de um dia sem televisão por semana. Hoje, há centenas de canais acessíveis. Se nada se pôde fazer para impedir uma deterioração contínua, isto significa dizer que os objetivos e os métodos estavam errados e que é imperativo que tudo seja repensado. E é evidente que não se poderá levar isso a cabo poupando o público, nem passando na televisão.
Existem alguns exemplos de um agir antipolítico: os “ceifadores voluntários” antitransgênicos, principalmente aqueles que agem de noite, ligando-se assim à tradição da sabotagem, em vez de pretender um efeito midiático, ou as ações visando a deixar aparelhos de vigilância e de controle biométrico sem condições de causar danos. Poderíamos igualmente citar os habitantes da Val di Susa, nos Alpes Italianos, que por várias vezes impediram a construção de uma linha de TGV (Trem de Grande Velocidade) nas montanhas em que vivem. Essa prevalência de lutas “defensivas” não significa necessariamente a ausência de uma perspectiva universal. Pelo contrário, essas lutas contra os piores dos “danos” ajudam a manter aberta essa perspectiva. É preciso pelo menos salvaguardar a possibilidade de uma emancipação futura em face da desumanização operada pela mercadoria que corre o risco de impedir para sempre toda e qualquer alternativa. Aqui, novas frentes e novas alianças poderão ser constituídas. Há assuntos – como a expropriação dos indivíduos de sua própria reprodução biológica, tornada pública sob o nome de “técnicas de fecundação artificial” – sobre os quais a esquerda modernista se posiciona em sintonia tão completa com os delírios de onipotência tecnológica do capitalismo contemporâneo, que até os posicionamentos do Papa parecem, por comparação, assumir um ar de racionalidade. O contrário da barbárie é a humanização. Esse conceito é bastante real, mas difícil de ser perscrutado. Uma “política” possível seria hoje a defesa dos pequenos progressos alcançados historicamente na humanização e a oposição à sua abolição. O capitalismo contemporâneo não é somente essa injustiça econômica que sempre se mantém no centro dos debates; e nem a catástrofe ecológica causada por ele consegue fechar a lista de seus danos. O capitalismo é igualmente um desmonte – uma “desconstrução” — das bases simbólicas e psíquicas da cultura humana, visível principalmente na desrealização operada pelas mídias eletrônicas; em relação a essa dimensão do problema, continua sendo sem importância que seja Sarkozy ou Royal,3 Besancenot4 ou Le Pen5 a ocupar a telinha.
A prática deve ser reinventada, mas sem ceder à injunção de “fazer alguma coisa, e imediatamente”, que sempre empurra à reedição de formas já vistas e já abortadas. O verdadeiro problema consiste no confinamento geral – que é sobretudo mental – nas formas de existência fetichistas, tanto em partidários quanto em presumidos adversários do sistema da mercadoria.6 Lutar para romper essas formas ancoradas em todas as cabeças, retirar do dinheiro e da mercadoria, da concorrência e do trabalho, do Estado e do “desenvolvimento”, do progresso e do crescimento, seus ares de inocência e de evidência — tudo isso é da ordem dessas “lutas teóricas” que se situam para além da oposição petrificada entre “teoria” e “práxis”. Por que a análise da lógica da mercadoria ou do patriarcado seria “somente” teoria, enquanto que qualquer greve por salários ou qualquer manifestação de estudantes que protestam por uma universidade que os prepare melhor para o mercado de trabalho seriam consideradas como “práxis” ou “política”?
Antes de agir, os homens pensam e sentem, e a maneira como agem deriva daquilo que pensam e sentem. Mudar a maneira de pensar e de sentir dos homens já é uma forma de agir, de práxis. Uma vez que há verdadeira clareza, pelo menos para uma minoria, acerca dos objetivos do agir, a realização pode vir muito rápido. Basta pensar em maio de 1968, que chegou aparentemente como uma surpresa, mas que fora preparado silenciosamente por minorias clarividentes. Em contrapartida, já se viu com frequência – e mais do que nunca na Revolução Russa – aonde podem levar as maiores ocasiões de agir quando falta uma verdadeira clareza teórica preliminar. Uma clareza que não se desenrola necessariamente nos livros e nos colóquios, mas que deve estar presente nas cabeças. Em lugar de identificar a política com as instituições públicas da sociedade mercantil, pode-se identificar a política com a práxis em geral. Mas não se pode opor abstratamente essa práxis à teoria. A teoria de que se trata aqui não é aquela que serve à práxis, nem é a sua preparação, mas sim parte integrante dela. O fetichismo não é um conjunto de falsas representações; ele é o conjunto das formas – tais como o dinheiro – no qual a vida realmente se desenrola em uma sociedade capitalista. Cada progresso na compreensão teórica, assim como sua difusão, é, portanto, em si mesmo um ato prático.
É claro que isso não é o suficiente. As formas futuras de práxis serão seguramente bastante diversificadas, e também englobarão lutas defensivas no nível da reprodução material (como aquelas contra a precarização do trabalho e contra a destruição do estado social). Se por um lado é preciso romper com as “políticas” que só se propõem a defender os interesses sob a forma mercantil das categorias sociais constituídas pela própria lógica fetichista, do tipo “poder de compra”, por outro lado continua sendo necessário impedir que o desenvolvimento capitalista devaste as bases de sobrevivência de grandes camadas da população e gere novas formas de miséria, que são com frequência devidas muito mais à exclusão do que à exploração – com efeito, ser explorado se torna quase um privilégio em relação à massa daqueles que foram declarados “supérfluos”, por serem “não rentáveis” (ou seja, não utilizáveis de uma maneira rentável na produção mercantil). Mas as reações dos “supérfluos” são muito diversificadas e podem elas próprias tender à barbárie. Ser vítima não dá nenhuma garantia de integridade moral. Assim, uma verdade impõe-se mais do que nunca: o comportamento dos indivíduos diante das vicissitudes da vida capitalista não é o resultado mecânico de sua “situação social”, de seus “interesses”, ou de sua proveniência geográfica, étnica ou religiosa, nem de seu gênero, nem de suas orientações sexuais. Diante da queda do capitalismo na barbárie, é impossível predizer a reação de alguém. Isso não tem nada a ver com uma pretensa “individualização” generalizada cujas maravilhas os sociólogos não param de louvar para não ter que falar da estandardização que cresce por trás dela. Mas as linhas fronteiriças já não são mais aquelas criadas pelo desenvolvimento capitalista. Do mesmo modo que a barbárie pode surgir em qualquer parte, tanto nas escolas secundárias finlandesas quanto nas favelas africanas, tanto entre os bobos7 quanto entre os habitantes de periferia, tanto entre os soldados high-tech quanto entre os insurgentes de mãos vazias; a resistência à barbárie e o impulso rumo à emancipação social também podem nascer por toda parte (embora com mais dificuldade!), até mesmo ali onde não se esperava. Se nenhuma categoria social correspondeu às projeções daqueles que procuravam o portador da emancipação, por outro lado, sempre surgem de novo oposições às condições desumanas da vida sob o capitalismo. Essa paisagem cheia de falsos amigos e de ajudas inesperadas constitui o campo, de difícil leitura neste momento, onde toda “recomposição política” deve tomar posição desde já.
Notas
[1] “Uma coisa me espanta prodigiosamente, eu ousaria dizer que me estupefaz: é que no momento científico em que escrevo, após inumeráveis experiências, após escândalos cotidianos, ainda possa existir em nossa querida França […] um eleitor, um único eleitor, este animal irracional, inorgânico, alucinante, que consinta desviar-se de seus afazeres, de seus sonhos, de seus prazeres, para votar em favor de alguém ou de alguma coisa. Quando deixamos a reflexão assentar-se, por um só instante que seja, não será esse surpreendente fenômeno feito para desviar as filosofias as mais sutis e confundir a razão? Onde está o Balzac que nos dará a fisiologia do eleitor moderno? E o Charcot que nos explicará a anatomia e as mentalidades desse incurável demente? […] Ele votou ontem, votará amanhã e sempre votará. Os cordeiros vão ao abatedouro. Nada se entredizem nem nada esperam. Mas pelo menos não votam no magarefe que os matará, nem no burguês que os comerá. Mais besta que as bestas, com um espírito de cordeiro maior do que o dos cordeiros, o eleitor nomeia o seu magarefe e escolhe seu burguês. Ele fez revoluções para conquistar esse direito […] então, retorna a tua casa, bom homem, e faz a greve do sufrágio universal.” (publicado no Le Figaro de 28 de novembro de 1888; retomado em O.Mirbeau, A greve dos eleitores, tradução de Plínio Augusto, São Paulo:Editora Imaginário, 2000. – Cento e vinte anos depois desse chamado à“greve dos eleitores”, ainda é possível, e necessário, repetir os mesmos argumentos. Com exceção de alguns nomes, poder-se-ia imprimir o texto de onde essas linhas foram extraídas e distribuí-lo como panfleto: ninguém se aperceberia de que essa linhas não foram escritas nos dias atuais, mas nos inícios da “IIIª república”. Visivelmente, no decurso de mais de um século, os eleitores não aprenderam nada. Esse fato, é bem verdade, não é muito encorajador.
[2] “O criminoso é o eleitor […] Tu és o eleitor, votador, aquele que aceita o que existe; aquele que, pela cédula de votação, sanciona todas as suas misérias; aquele que, votando, consagra todas as suas servidões […] Tu és um perigo para nós, homens livres, para nós anarquistas. Tu és um perigo equivalente aos tiranos, aos mestres que te dás a ti mesmo, que tu nomeias, que tu apoias, que tu proteges com tuas baionetas, que tu defendes com tua força bruta, que tu exaltas com tua ignorância, que tu legalizas com tua cédula de votação, – e que tu nos impões por tua imbecilidade. […] Se candidatos esfomeados por comando e embebidos na insipidez passam carinhosamente a escova no lombo e na garupa da tua autocracia de papel; se tu te enches das cinzas do incenso e das promessas que te derramam aqueles que sempre te traíram, que te enganam e que te venderão amanhã: é porque tu mesmo te lhes assemelhas. […] Vamos lá, vota bem! Tem confiança em teus mandatários, crê em teus eleitos. Mas para de te lamentar. O jugo que tu sofres, és tu mesmo quem te impõe. Os crimes por que tu sofres, és tu mesmo quem os comete. És tu o mestre, és tu o criminoso e, por ironia, és tu o escravo, és tu a vítima”. – Ver Albert Libertad, Le culte de la charogne. Anarchisme, un état de révolution permanente [O culto da carniça.Anarquismo, um estado de revolução permanente] (1897–1908), Marselha: Agona, 2006.
[3] Candidata socialista derrotada por Sarkozy em 2007. [N.d.T.]
[4] Candidato trotskista que goza de bastante espaço midiático. [N.d.T.]
[5] Político de extrema direita. [N.d.T.]
[6] Aliás, um dos novos dados com o qual a práxis anticapitalista deve se confrontar hoje reside na queda das fronteiras entre partidários e adversários do sistema e na difusão de pedaços de pensamento crítico em muitos indivíduos que, ao mesmo tempo, participam plenamente da marcha do mundo: eles leem Marcuse e trabalham na publicidade, administram empresas e doam dinheiro para os zapatistas, declaram-se anarquistas e têm carreiras administrativas… Claro que é preciso viver, mas não dá para ser ingênuo. Trata”-se de um verdadeiro “mitridatismo” contra as tomadas de consciência capazes de incomodar uma existência.
[7] Trata-se de uma contração de burguês-boêmio. [N.d.T.]
Recentemente concluí na Universidade Estácio de Sá o Curso de Pós-Graduação Comunicação em Mídias Digitais.Meu TCC teve como tema criptografia e anonimato na comunicação digital. Estou publicando o mesmo aqui no blog,dividindo-o em algumas postagens. No final, disponibilizarei o trabalho em um único arquivo em formato PDF. Nesta terceira postagem estou divulgando a continuação do capítulo 2, que tem como título "Softwares para uma comunicação digital relativamente segura". Antes já publiquei umaprimeira partecom o resumo, palavras chaves e a introdução e oinício do capítulo 2, intitulado "Um panóptico virtual para (quase) todos". Em cada postagem também estou compartilhando vídeos e imagens que estejam relacionados ao tema.
2.1 Softwares para uma comunicação
digital relativamente segura
Vamos então abordar algumas
ferramentas (softwares) que permitem uma comunicação relativamente
segura (não existe nada 100% seguro na internet) com criptografia e
que garantam não só o anonimato, escapando da vigilância geral,
mas também que proteja as comunicações de investidas específicas
que tenham como alvo um jornalista, sua fonte, ou ambos. A maioria
destes softwares trabalha com criptografia assimétrica, que utiliza
um par de chaves, uma pública e outra privada na encriptação,
decriptação e assinatura de arquivos. Para facilitar ao leitor
deste estudo o acesso a downloads e instalação dos programas
citados, disponibilizamos ao final deste alguns endereços de sites
(conforme Apêndice A).
Tails - A primeira ferramenta
que abordaremos é o Sistema Operacional(SO) Tails, que agrupa
funcionalidades de diversas outras ferramentas abordadas neste
trabalho. Este SO é um software livre, gratuito e de código aberto
e foi projetado visando a privacidade e o anonimato, principalmente
para navegar na internet. O Tails é um sistema operacional completo
e roda a partir de um DVD, pendrive ou cartão de memória. Ele pode
ser usado em praticamente qualquer computador e roda independente do
SO instalado no mesmo, não usando o espaço do hardware para gravar
dados (a não ser que você assim o deseje). O Tails baseia-se em
outro SO, o Debian Gnu-Linux e possui ferramentas como navegador web,
suíte de escritório, cliente para troca de mensagens instantâneas,
editor de imagem, de som, gravador de discos e outros. Ele também
possui requisitos de acessibilidade para pessoas com necessidades
especiais tais como leitor de tela.
O Tails possui também a capacidade
de criptografar uma memória USB ou HD externo, criptografar acessos
à internet por navegador web, permite a criptografia de e-mails e
chat online seguro. Além disso possibilita apagar de forma segura os
arquivos indesejados.
Instalação e uso: o Tails possui
uma documentação clara com grande parte já traduzida para o
português. O download é feito através de uma imagem ISO com os
arquivos do sistema compactados e uma chave criptografada. O processo
de download e instalação é todo claramente descrito no site e na
documentação. Basicamente se “queima” um DVD com a ISO e a
partir daí, pode se instalar em cartão de memória ou USB. Ele
também pode ser instalado em uma máquina virtual. Há vantagens e
desvantagens em instalar em um cartão de memória/pendrive ou em um
DVD, e estas também são claramente mostradas. Após fazer o
download e instalar, basta configurar o setup na inicialização do
computador a ser usado para dar boot, ou seja, iniciar primariamente
por dispositivo USB ou DVD, conforme a forma que você tenha
escolhido. Computadores mais antigos talvez tenham dificuldade com a
opção USB. É possível que usuários iniciantes sintam uma certa
dificuldade para compreender os conceitos por trás do Tails, mas os
passos para download e instalação estão disponíveis como uma
receita de bolo. A partir do momento que começar a usar, o Tails é
bastante interativo e tem até uma opção de interface baseada no
Windows, chamada Windows Camouflage.
Navegação anônima – Como
vimos, há uma vigilância cerrada sobre usuários da internet e
indexação e acúmulo das informações deixadas pelos mesmos. O
Tor, que integra o projeto do Tails, é um software livre gratuito
para proteger contra a censura e permitindo uma navegação anônima
e, portanto, mais segura. Ele consiste em uma rede subjacente à
própria internet com túneis onde os roteadores são computadores de
usuários comuns. Após a instalação do programa, este mascara o
Internet Protocol (IP) da máquina utilizada, mostrando publicamente
ao invés do IP original, um dos nós da rede Tor, que tem topologia
aleatória. Em termos práticos, digamos que originalmente um usuário
que navega com um IP associado ao seu nome e que está no Brasil,
aparecerá publicamente com um IP da Suíça ou de outro país e ao
qual não está ligado. O Tor está disponível para os SOs mais
usados (Linux, Windows e Mac), podendo inclusive ser instalado como
uma extensão no navegador Mozilla Firefox. O Tor não é
essencialmente uma ferramenta criptográfica, mas sua função de
anonimato é muito importante.
Veja-se o caso de Michele Catalano,
uma jornalista norte-americana. Logo após os atentados na cidade de
Boston, em 2013, quando bombas foram colocadas dentro de panelas de
pressão e mochilas, ela, seu marido e seu filho, pesquisaram no
Google, respectivamente sobre panelas de pressão, passagens para
Boston e mochilas. Como as buscas foram feitas do mesmo endereço IP,
logo após as mesmas, o FBI chegou em sua casa e interrogou seu
marido sobre a intenção dele de colocar bombas. Isto mostra
claramente a vigilância geral na internet e os riscos que as pessoas
correm, mesmo sem terem cometido nenhum crime. Ressalve-se que usando
o Tor, há restrição, por exemplo, ao Gmail e ao Facebook.
Normalmente estes serviços bloqueiam as contas caso seja feito
login nas mesmas usando Ips da rede Tor, o que mostra a vigilância e
monitoramento exercido por estes serviços sobre seus usuários.
Instruções para instalação e uso estão disponíveis no site do
projeto Tor, link para o mesmo no Apêndice A.
E-mail criptografado -Uma das
ferramentas mais utilizadas por
jornalistas e fontes na comunicação
digital é o e-mail. Há exemplos
disponíveis na internet, em
artigos de periódicos e em livros mostrando como
usar criptografia
neste tipo de ferramenta. Ao contrário do que se pode
pensar,
alguns destes exemplos são fáceis de implementar e utilizam
softwares livres e gratuitos.
Criptografar
seu email pode parecer assustador, mas na verdade é bem simples.
Vamos usar algo chamado PGP (Preety Good Privacy, um nome que é um
tributo a um programa de rádio da NPR, A Prairie Home Companion)
para criptografar suas mensagens. Ele vai fazer seus emails parecerem
um texto ilegível para quem vê de fora,
como aquele sujeito fuçando na rede Wi-Fi da cafeteria. Ele também
esconde números de cartão de crédito, endereços, fotos e o que
mais você escolher para manter confidencial. Henry
(2013)
Um
uso fácil do PGP é utilizando o cliente de e-mail Mozilla
Thunderbird e a extensão Enigmail. Ambos são softwares livres e
gratuitos e o
Thunderbird está disponível para Linux e Windows,
tendo inclusive uma versão
portátil que roda a partir de pendrive.
ele também possui proteção básica contra
spam (e-mails
indesejados) e phishing (fraude para adquirir dados pessoais e
financeiros na internet).
Já
o enigmail é um plugin de fácil instalação no Mozilla Thundebird
que
permite criptografar, descriptografar, assinar e verificar
assinaturas dos e-mails
usando Open PGP. Com ele o usuário
facilmente realiza estas tarefas, bastando que
após a instalação,
se ainda não as tem, crie um par de chaves criptográficas
(chave
pública e chave privada ou segura). Sobre estas, Lee (2013, p. 16)
explica
Se
você têm a chave pública de alguém, você pode fazer duas coisas:
criptografar mensagens que só podem ser descriptografadas com sua
chave secreta, e pode verificar assinaturas que são geradas com sua
chave secreta. É seguro dar sua chave pública para qualquer pessoa
que quiser. A
pior
coisa que alguém pode fazer é criptografar mensagens que só você
pode descriptografar.
Com
sua chave secreta você pode fazer duas coisas: descriptografar
mensagens que são criptografadas usando sua chave pública, e
assinar digitalmente mensagens.
Para aqueles que não querem ou não
podem utilizar um cliente de e-mail, há
alguns serviços com
webmail que prometem segurança e criptografia. Um destes serviços
é o ProtonMail, que garante criptografia de ponta a ponta, ou seja,
criptografa os dados ainda no navegador do usuário antes de se
comunicar com o
servidor.
Usando cliente ou webmail, o
importante a ressaltar é que todos que participam
da comunicação
devem utilizar criptografia. Não adianta o jornalista encriptar seus
e-
mails se a fonte não o faz e vice e versa.
É importante compreender que PGP não
é utilizado só para e-mail. O usuário
pode, por exemplo, fazer uma postagem
criptografada com PGP em uma rede social
ou fórum de discussão.
Chat ou bate-papo online com
criptografia - O Off-the-Record (OTR) é um
revestimento
criptográfico que pode ser usado em qualquer sistema de mensagem
instantânea, inclusive na troca de mensagens do Facebook Messenger
ou Google
Talk. O princípio é o mesmo já explicado na
criptografia de e-mails. Pode-se utilizar
um cliente de conversa que
suporte OTR, como o Pidgin, software livre e gratuito.
Nele, deve
ser acrescentado o plugin OTR. O Pindgin está disponível para
Windows
e Linux. Para Mac OS X, há um cliente chamado Adium. Links
para instalação e
dicas no Apêndice A.
Uma outra alternativa para bate-papo
criptografado é o CryptoCat, que é
plugin disponível para os
navegadores Chrome, Firefox, Opera, Safari e OSX. Basta
instalá-lo,
escolher um apelido, uma sala de bate-papo, que você mesmo pode
criar
e começar. O CryptoCat também funciona com o chat do
Facebook.
Criptografia
de arquivos e pastas
– É
possível encriptar desde todo
conteúdo de um HD, até só uma
pasta ou um arquivo específico. Alguns SOs, como
a distribuição
Linux Ubuntu, oferecem a opção de encriptar a pasta pessoal do
usuário no momento da própria instalação do sistema operacional.
Como os demais softwares aqui citados, o Ubuntu é um software livre
e gratuito. Para trabalhar com
arquivos e pastas determinados, uma
boa sugestão é o GnuPG. Disponível para
Windows, Linux e Mac OS
X. Ele permite entre outras funcionalidades, criar e compartilhar
chaves, encriptar e decriptar arquivos (documentos, imagens) e
assinar
mensagens e arquivos. Uma outra alternativa para usuários
do Windows é o
Diskcryptor.
2.2.1 Criptografia
e anonimato em dispositivos móveis -
Muito
da comunicação entre jornalistas e fontes hoje acontece com o uso
de
dispositivos móveis, como smartphones e tablets. Cada vez mais
estes gadgets
são
usados para enviar e receber mensagens e e-mails, gravar e
fazer upload de fotos e
vídeos e para conversar, obviamente. Como o
SO mais usado nestes dispositivos é
o Android, este trabalho
abordará aplicações disponíveis para o mesmo. No próprio SO
existe um método inicial para segurança com bloqueio da tela
inicial
(LockScreen)
e liberação do aparelho mediante senha ou “desenho” na tela. Em
algumas versões do Android, também é possível encriptar todo o
aparelho, embora seja um procedimento com risco de perda de dados.
Já para a encriptação de
arquivos, existem vários softwares. Um
dos mais acessíveis é o Crypt4All Lite (AES),
disponível na Play
Store do Google. O software é gratuito, permite encriptar e
decriptar facilmente arquivos, atribuindo-lhes senhas (criptografia
simétrica). Basta
instalar, abrir, selecionar o arquivo desejado,
atribuir senha e encriptar. Após isso,
deve-se apagar o arquivo
original e pode-se
até renomear o novo, desde que não altere
sua extensão. Para
decriptar, basta abrir o arquivo criptografado com a devida
senha.
Um
outro aplicativo muito útil é o TextSecure, programa de mensagens
com
criptografia que também usa senha (chave simétrica). Protege
suas mensagens e
bate-papos. Como já foi explanado no caso do
e-mail, ele deve ser usado por todos
que queiram trocar mensagens de
forma segura.
Há
também o RedPhone, aplicativo para encriptar chamadas, que fornece
criptografia ponta a ponta. Este ainda está em fase de testes e os
depoimentos
sobre o mesmo são de que pode apresentar dificuldades
de uso. O Text Secure e o
RedPhone são softwares gratuitos e livres
e uma iniciativa da Whispersystems.
A
extensão CryptoCat da qual já falamos, também pode ser instalada
em
iPhone, estando no momento da redação deste trabalho, em
desenvolvimento para
Android.
No
caso da navegação anônima no Android, há o Orbot, um proxy
com Tor.
Basicamente o Orbot é uma versão do Tor para dispositivos
móveis.
Por fim, há também um leitor de notícias para
dispositivos móveis, chamado
Courier que permite a leitura de
notícias em sites da internet com privacidade. Além
da leitura, o
Courier permite o armazenamento para leitura off
line
e
compartilhamento das notícias. Ele utiliza o Orbot e possui
inclusive um botão que
permite ao usuário apagar rapidamente não
só as informações acumuladas, mas
também o próprio aplicativo.
O Courier é gratuito.
2.3
Removendo arquivos com segurança
Um último alerta e mesmo correndo o
risco de fugir um pouco do escopo
deste trabalho, é com relação
ao descarte de informações. Ainda que usando
dispositivos (móveis
ou não) protegidos por senha, criptografia etc. deve haver
preocupação com o descarte de informações. Se um arquivo é
sensível, não se deve simplesmente apagá-lo normalmente e depois
limpar a lixeira. Este arquivo
continuará no sistema e poderá ser
recuperado posteriormente. Uma boa dica para
usuários do SO Gnu-
Linux é o uso do comando shred. No Apêndice A, está um tutorial
de uso do mesmo.
Jornalista autônomo assessor de comunicação, sócio da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), desenvolvedor web, usuário Gnu-Linux e entusiasta do software livre.